O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Francisco da Cruz, que fez parte da equipa que trabalhou no estabelecimento das relações diplomáticas entre Angola e os Estados Unidos da América, na altura como conselheiro, disse que o papel do Presidente João Lourenço na resolução de conflitos no continente, "a dinâmica que vem empreendendo no quadro do papel de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, questões económicas regionais decorrentes dos investimentos no Corredor do Lobito, para melhorar o acesso aos minerais estratégicos da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, levaram o Presidente Biden a querer este encontro".

Do ponto de vista das vantagens para Angola, Francisco da Cruz disse que este encontro entre João Lourenço e Joe Biden, na Casa Branca, vai permitir a Angola reforçar o reconhecimento americano nas questões regionais importantes para uma agenda comum.

Já o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse durante a sua passagem por Luanda, em Setembro, que a Administração do Presidente Joe Biden acredita que "o futuro passa por África", e que o caminho para esse futuro é o "reforço das parcerias na área da Defesa", alertando para o perigo que representam aqueles que procuram ganhar influência vendendo "armas baratas" no continente.

Numa intervenção proferida no Arquivo Histórico Nacional, o responsável pela Defesa norte-americana frisou que nos EUA existe uma consciência clara de que o continente africano é "fundamental e importante para mudar o mundo do seculo XXI, para a sua segurança comum", salientando que "o Presidente Biden acredita que o sucesso de África é crucial para o futuro da Humanidade".

Mas sublinhou que África "não precisa de homens fortes, precisa de instituições fortes" e os EUA estão disponíveis para trabalhar nesse sentido, considerando que isso é de grande relevo num momento em que decorrem desafios sérios e profundos à democracia em África, numa clara referência aos sucessivos golpes de Estado na África Ocidental/Sahel.

E aproveitou para alertar o continente a partir de Luanda para o perigo que representam esses golpes, sublinhando mesmo a forma como "grupos de mercenários ao serviço de autocracias" como o russo Grupo Wagner, estão a contribuir para desestabilizar democracias em nome de governos que procuram ganhar influência "vendendo armas baratas" aos países africanos.

Avisou os generais que lideram golpes e ajudam à desestabilização dos países africanos que quando estes "se posicionam contra a vontade dos povos, sofre a segurança e morre a democracia", aproveitado para defender que o continente "não precisa de homens fortes, precisa de instituições sólidas", de lideres civis e não de lideres militares.

Mas defendeu que os militares têm um papel fundamental na defesa dos povos contra quem procura desestabilizar as sociedades abertas e democráticas, sublinhando que os verdadeiros miliares "servem os povos e os cidadãos", apostando nesta máxima os seus 41 anos de serviço militar atá à patente de general.

Disse ainda que os EUA não dão por certas as suas parcerias com os países africanos, sabendo que têm de trabalhar para as consolidar, como é o caso da que têm com Angola, garantindo que este é um país muito considerado em Washington, destacando que os EUA também estão conscientes de que "o futuro pertence a quem defende a dignidade humana e não a quem a pisoteia", numa outra clara alusão à alegada contribuição russa para o crescendo de golpes de Estado no continente.

Falou neste seu discurso dos fundamentos da cada vez mais sólida parceria entre Washington e Luanda, dando como exemplo o Atlântico onde ambos os países têm interesse em combater não só a pirataria como a pesca ilegal, entre outros aspectos, enfatizando o potencial do trabalho conjunto em operações de paz, deixando garantias de que o seu Governo está disponível para contribuir, em conjunto com os seus parceiros africanos, para combater pandemias, a insegurança alimentar, a crise climática, o terrorismo, o ciberterrorismo e a desinformação online e a pilhagem dos recursos naturais no continente.

Disse que os EUA querem erguer parcerias assentes na democracia e no progresso e que defendem que esse progresso role em cima de regras e normas internacionais que apoiam a prosperidade.

"Queremos avançar assentes em parcerias fortes porque o futuro está a ser escrito hoje", atirou para a plateia onde estavam dezenas de membros do Governo angolano, militares e a comitiva alargada de Lloyd Austin.