A Educação é, para quase todas as organizações internacionais ligadas ao desenvolvimento das sociedades africanas, a resposta natural para as exigências que chegarão nos próximos anos e, agora, também as elites políticas o admitem.

Pelo menos foi o que sucedeu no Dubai, Emiratos Árabes Unidos, onde decorre a Cimeira dos Governos do Mundo, onde está o Presidente angolano, João Lourenço, entre centenas doutros líderes, e os debates em curso conduzem para essa conclusão: a Educação é a chave para a transformação de África.

É a Educação que vai permitir, como se pode perceber dos resultados dos debates a decorrer no Dubai, de acordo com o site AfricaNews, a África transformar-se no sentido de recuperar dos atrasos estruturais que se reflectem nos dados continentais sobre o seu desenvolvimento económico e progresso social.

E este queimar de etapas é visto como fundamental pelas elites políticas africanas quando se somam episódios de movimentações sociais de protesto com origem nas camadas mais jovens (Geração Z) cansadas que estão de não verem resultados objectivos da Governação nos seus países.

Isso mesmo aconteceu, com maior gravidade, em países como o Quénia, Madagáscar, África do Sul, Marrocos... e pode, como a maior dos analistas entende ser inevitável, espalhar-se pelo continente com base no extraordinário crescimento da população juvenil.

Uma das questões que tem emergido, e é foco de atenções redobradas, é que, com o crescimento das plataformas online, onde as redes sociais servem, também, para espalhar desinformação, cumulativamente com a crescente juventude, o potencial de perturbação social tem muito terreno para expandir.

Citada pelos media presentes no Dubai, Laura Frigenti, CEO da Parceria Global para a Educação (GPE, na sigla em inglês) um fundo global apoiado pelo banco Mundial para desenvolver o sector nos países em desenvolvimento, o tempo de priorizar os investimentos na Educação é agora, como já devia ter sido onem.

E a explicação de Frigenti é simples: "A Educação exige investimentos avultados e os seus impactos só são visíveis no longo termo e quase sempre de forma ténue".

O que significa que existe uma relação de exponencialidade entre o atraso no investimento na Educação e a aceleração dos problemas sociais que já hoje se percebem como quase certos no futuro, de modo que quando mais cedo e mais se investir, menos abrasivos serão os dias do futuro nos países com maiores populações jovens, e Angola está entre os mais "novos".