Há muito que o Conselho de Administração da EPASB, em resposta a um dos 13 pontos do caderno reivindicativo apresentado pelas comissões sindicais, manifesta falta de disponibilidade financeira para pagar salários entre os dias 25 e 30 de cada mês, sublinhando que o incumprimento é reflexo de uma longa crise financeira.
A tendência até chegou a ser contornada num curto espaço de tempo, entre 2023 e 2024, graças aos 8.5 mil milhões da capitalização, uma verba igualmente no centro da controvérsia entre sindicalistas e a Administração em relação à aplicação.
Se há, como sublinha a fonte do NJ, um Ministério da Energia e Águas a prometer solucionar dois problemas até 10 de Abril, sem, contudo, que se saiba de que forma, há também um Conselho de Administração da EPASB a avisar que depende apenas das cobranças aos clientes.
Foi o que se viu, de resto, um dia antes da curta paralisação, quando o director administrativo e dos Recursos Humanos, Paulo Mota Lemos, fez saber que, para lá dos salários, pagos até 10 ou 15 do mês seguinte, existem os custos operacionais.
"Temos de pagar por grupos de funcionários, isso dá lugar a estes atrasos", sustentou o responsável.
Já nesta terça-feira, 10, na reunião, via zoom, com as Comissões Sindicais, o secretário de Estado das Águas, António Fernandes Rodrigues, não avançou a estratégia para o fim do atraso no pagamento de salários, se por via de reforço financeiro ou outra.
Na segunda promessa, o governante assegurou, também para 10 de Abril, a implementação do qualificador ocupacional, quando o director interino do Gabinete Jurídico da EPASB, Róger Diniz, tinha anunciado para daqui a cinco dias.
"Vejo promessas por questões políticas, sem viabilidade, apenas para evitar a greve nesta empresa de grande importância social e económica", resumiu a fonte.
Por seu turno, o líder sindical, Egas Jololo, adverte que os trabalhadores voltam à greve em caso de incumprimentos, até porque, como salienta, "não se trata de um levantamento, é apenas uma suspensão".
Ressaltou, todavia, que as comissões sindicais mantêm as denúncias de escândalos financeiros e gestão danosa e que continuam a exigir a demissão do Conselho de Administração

