No comunicado enviado pelos advogados de Carlos Panzo ao Novo Jornal é citada a nota de arquivamento da PGR, que afirma que o processo foi arquivado "por inexistência de indícios probatórios que sustentassem qualquer infracção penal e por ausência de conexão entre os activos financeiros que o economista detinha em instituições bancárias suíças e a qualidade de funcionário público à data dos factos".

Mais de oito anos depois da sua exoneração e pedido de extradição, e de três decisões judiciárias de países europeus - Suíça, Espanha e Portugal -, o ex-secretário para os Assuntos Económicos de João Lourenço está livre de acusações.

A primeira decisão judicial chegou da Suíça, que decidiu o arquivamento do processo, em 2019. Seguiu-se a do Tribunal Constitucional espanhol, que anulou a extradição de Carlos Panzo, acusado pelas autoridades angolanas de receber pagamentos indevidos da construtora Odebrecht. Chegou depois a do Supremo Tribunal português, que homologou e conferiu eficácia à decisão da justiça espanhola.

Os advogados do economista consideram que "com esta decisão definitiva" da PGR angolana, fica comprovada a inexistência de qualquer conduta delituosa, acusando o Estado angolano de "actos persecutórios" contra o seu cliente.

Carlos Panzo foi exonerado das funções de secretário para os Assuntos Económicos do Presidente da República, João Lourenço, em Outubro de 2017, depois de as autoridades helvéticas informarem que ele estava a ser investigado na Suíça por suspeitas de lavagem de dinheiro.

No dia da exoneração de Carlos Panzo, a PGR avançou, em nota de imprensa, a informação de que tinha instaurado um inquérito para apurar os factos sob investigação na Suíça.

O Novo Jornal contactou a PGR, que não quis comentar.