A oposição espera que o governador provincial de Luanda, Bento Bento, convoque "urgentemente" as empresas de recolha de lixo para analisar a situação e tomar medidas que evitem a insalubridade verificada.

"A situação é muito grave. Por exemplo, defronte à administração distrital de Kilamba Kiaxi pode ver-se uma montanha de lixo e ninguém diz nada", disse o membro do CASA-CE neste município, Amadeu Sumbi.

Sumbi atribuiu os constrangimentos no sistema de limpeza de Luanda à ineficiência das empresas contratadas para a recolha do lixo.

O Novo Jornal apurou que a empresa de recolha de lixo «Soproenge », que exercia esse trabalho no Kilamba Kiaxi, suspendeu as suas actividades em Dezembro passado, por falta de cumprimento de algumas cláusulas contratuais por parte da empresa contratante, a ELISAL (Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda).

Desde aquela altura, a ELISAL está a efectuar a recolha de lixo nesta circunscrição, mas não com tanta perfeição, porque não tira os resíduos sólidos diariamente.

"São empresas que, mesmo sem eficiência dos serviços, foram ganhando concursos e aí está o problema", argumentou Sumbi.

Para o membro da UNITA Saldanha Fuxi, que mora no bairro Neves Bendinha, a "lixeira que se encontra à entrada da unidade da Força Aérea da Região Norte é uma vergonha".

"O cheiro abafa os militares na unidade e ninguém se preocupa em limpar constantemente aquela localidade", lamentou.

Segundo Saldanha Fuxi, "muitas empresas não estão à altura da demanda e, consequentemente, não cumprem o regime contratual".

"É hora do senhor governador tomar medidas", defendeu.

O presidente do PDP-ANA sugeriu medidas de punição para quem jogar lixo nas ruas. "Com multas duras, o quadro mudava", acrescentou este líder partidário sem assento no parlamento.

O presidente do PDP-ANA não sabe como é que ficou o projecto de limpeza do governo de Luanda pelo qual os cidadãos seriam pagos pelo lixo que recolhessem e entregassem às autoridades.

"Anunciam medidas importantes e acabam por morrer nas gavetas. Não estamos a entender como é que isso funciona", exclamou.

"Na altura, o governador Bento Bento disse que lixo passaria a ser também um negócio para o povo e para a juventude, pois poderiam passar a recolher o lixo e a vender directamente ao Governo. Agora, vemos lixo em todo o lado e ninguém aproveita para vender", acrescentou.

O valor global anual para manter Luanda limpa é de 225 milhões de dólares.

Velhos problemas

Luanda conheceu um período crítico anterior relativamente à recolha de lixo. Foi durante a administração de Simão Paulo, exonerado em 2002.

Na altura, o Presidente José Eduardo dos Santos lamentou as quantidades de lixo depositadas na cidade, tornando-a numa das mais sujas da África Austral.

Os esforços empreendidos, consubstanciados no encerramento de 45 armazéns no bairro São Paulo e de um mercado no município de Viana para limpeza, não contribuíram então para branquear a imagem do ex-governador.

Face à situação, o Chefe de Estado angolano nomeou uma Comissão Administrativa, que era composta pelo ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, o secretário do Conselho de Ministros, António Pereira Van-Dúnem, e o vice-ministro da Juventude e Desportos, Job Castelo Capapinha, para gerir o Governo Provincial de Luanda nos seis meses seguintes.

A Comissão tinha como atribuições propôr a alteração da divisão político- administrativa da cidade de Luanda e a reorganização da estrutura dos serviços que integram o Governo da Província.

Foi ainda recomendada a adopção de medidas que visassem alcançar uma melhor prestação de serviços básicos, relativamente ao abastecimento de água potável, fornecimento de electricidade, transportes públicos, bem como recolha e tratamento do lixo.

A medida foi justificada pela necessidade do governo central interceder na alteração da situação de acentuada degradação do estado das principais infra-estruturas da cidade, diminuindo assim a qualidade dos principais serviços básicos prestados à população.

Segundo observadores, a exoneração de Simão Paulo era previsível, tendo em conta a sua incapacidade para restituir a imagem da capital do país, que nos últimos tempos estava muito degradada devido à insalubridade total.