Há cerca de um ano, Donald Trump e Kim Jong-un estiveram reunidos em Singapura e também não chegaram a um acordo, tendo apenas assinado um compromisso com pontos para análise entre as duas partes, mas esta Cimeira de Hanói tinha como expectativa mínima a definição de um calendário mínimo de acção, que não chegou a ver a luz do dia.
Pior que isso, Trump e Jong un afastaram-se um do outro mesmo antes do quer estava previsto, denotando que as conversações podem, como, alias, os analistas previam, estar a ser mais complexas do que um e outro lado admitiam.
Nas declarações produzidas pelo Presidente norte-americano, este explicou que o que esteve na génese da interrupção intempestiva da Cimeira foi a exigência de Kim Jong-un de um levantamento total das sanções dos EUA à Coreia do Norte dando, como contrapartida, a garantia de que alguns dos "spots" nucleares de Pyongyang seriam desmantelados, mantendo, todavia, algum do actual arsenal activo.
Tal como previam a generalidade dos analistas, dificilmente Jong-un poderia avançar com o desmantelamento integral da infra-estrutura e arsenal nucleares porque a existência dessa capacidade é a única razão pela qual decorrem estas negociações e o que garante a pressão permanente da Coreia do Sul para que seja conseguido um acordo satisfatória, que passará sempre pela desnuclearização total da Coreia do Norte.
A par desse grande objectivo, a eliminação de todas as armas nucleares e de toda a capacidade de produção de ogivas nucleares, corre ao mesmo tempo a garantia de que os EUA e a Coreia do Sul apoiarão o processo de rápido desenvolvimento económico da Coreia do Norte, país com enormes dificuldades e com sucessivos episódios de carência alimentar grave, sendo que é hoje o mais fechado regime existente no mundo, alicerçado na mesma família com transmissão dinástica do poder.
Nas declarações subsequentes, Trump lamentou que não tivesse sido atingido o ponto de não retorno para a desnuclearização da Península Coreana, mas manifestou-se optimista quanto ao futuro, sublinhando que ambas as partes desejam continuar o diálogo.
Mas, para chegar até esta Cimeira, os dois países passaram quase dois anos de forte tensão, deixando mesmo o mundo à beira do abismo, como pode ser recordado aqui, aqui, aqui ou ainda aqui.
A Península Coreana permanece oficialmente em guerra desde 1953, quando o Norte e o Sul deram por findo o conflito através da assinatura de um Armistício, mas nunca chegou a ser assinado um Tratado de Paz.
A Guerra da Coreia durou entre 25 de Junho de 1950 e 27 de julho de 1953 e começou começou quando a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul. Face a este ataque, os EUA colocaram-se ao lado do Sul, através de material bélico, inicialmente, e depois com o envio de milhares de homens, enquanto a China defendeu o Norte, de igual modo, tendo ainda o apoio da União Soviética, actual Rússia. Do lado do Sul, estiveram os tradicionais aliados dos Estados Unidos, com o Reino Unido na linha da frente.
Desde a assinatura do Armistício, na linha de fronteira, o famoso Paralelo 38, permaneceram milhares de soldados norte-americanos, sendo hoje uma das zonas com maior densidade em material militar do mundo, apesar de algum recente desanuviamento.

