Este é o oitavo pacote de sanções aprovadas pela ONU sobre a Coreia do Norte desde que o regime de Kim Jong-un aprofundou o seu programa nuclear, embora sem resultados visíveis por causa dos "buracos" feitos na malha punitiva com o alegado envolvimento de vários países, onde se inclui Angola, por onde continuam a sair os negócios externos de Pyongyang.

As sanções foram aprovadas em reunião extraordinária do CS da ONU apesar de o Presidente norte-coreano ter, mais uma vez, produzido ameaças de que os EUA seriam punidos com "o maior sofrimento e dor" da sua história.

Os 15 países que compõem o CS foram unânimes em votar favoravelmente a aplicação de novas sanções, incluindo a China e a Rússia, os dois países com poder de veto, a par dos EUA, França e Reino Unido, o que permite concluir que Kim Jong-un pode estar a perder o apoio, pelo menos de forma clara, de Pequim, que se tem mostrado como o único aliado, e ainda de Moscovo, que, embora menos efusivo, tem também apelado às negociações com a Coreia do Norte em vez das recorrentes ameaças, como tem feito o Presidente dos EUA.

Com estas medidas, a Coreia do Norte deve ter, só nos últimos meses, perdido mais de dois mil milhões de dólares de rendimentos, estando agora impossibilitada de vender os seus têxteis, isto, depois de já ter perdido o direito de exportar minerais e produtos do mar, estando agora em risco o fornecimento de combustíveis ao país.

Face a este novo cenário, a China, de longe o maior aliado de Pyongyang e responsável por mais de 75% dos seus negócios externos, reafirmou, todavia, o apelo aos EUA para manterem abertas as portas do diálogo com a Coreia do Norte, porque, como explicou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, "uma solução militar está fora de questão porque não conduzirá a qualquer tipo de solução".

Foi, alias, graças à China e à Rússia, que a Coreia do Norte conseguiu evitar o fecho completo da torneira do petróleo e do gás natural, embora esse possa ser o próximo passo.

Envolvimento angolano no contorno das sanções(!?)

Na mira da Organização das Nações Unidas (ONU) por alegadamente ter comprado armas à Coreia Norte - quebrando o embargo imposto pela organização em resposta ao programa nuclear de Pyongyang -, Angola ainda não respondeu às suspeitas, que incluem não apenas a aquisição de armamento, mas formação prestada à Guarda Presidencial.

A investigação realizada pela Organização das Nações Unidas para avaliar os efeitos do embargo imposto à Coreia do Norte, estão a deixar Angola mal na fotografia.

Para além de suspeitar da compra de armas a Pyongyang por parte do Estado angolano, a ONU desconfia que "a guarda presidencial de Angola e outras unidades foram treinadas por pessoas da República Democrática Popular da Coreia".

A informação consta do relatório de 111 páginas apresentado no último sábado, 9, por um painel de oito especialistas.

Segundo os peritos, no centro dos negócios de Angola com a Coreia do Norte surge Kim Hyok Chan, norte-coreano com visto de diplomata em Luanda, apontado como representante da Green Pine Corporation, empresa responsável por quase metade das armas exportadas pela Coreia do Norte, e alvo de sanções da comunidade internacional desde 2012.

Ainda segundo os especialistas da organização mundial, Kim Hyok Chan "é o representante da Green Pine Corporation responsável pela remodelação dos navios da República Democrática Popular da Coreia que violou as resoluções" internacionais.

Os investigadores indicam que norte-coreano viajou com outro diplomata acreditado em Angola - Jon Chol Young - entre Angola e o Sri Lanka, numa "tentativa falhada" de vender navios militares.

As alegações não foram ainda contestadas por Angola. Conforme se lê no relatório, "Angola ainda não respondeu às perguntas do painel".