Este encontro já esteve marcado, depois foi desmarcado pelo Presidente norte-americano e agora voltou a ser dado como garantido, pondo, se acontecer, fim a um longo período de troca de acusações e ameaças de destruição mútua e com a possibilidade de abrir caminho à eliminação de todas as armas nucleares da Coreia do Norte, que é, como Donald Trump tem sublinhado, o que verdadeiramente importa na conversa entre os dois.
Para já, garante Washington, a preparação do encontro "está a correr muito bem", mas a "batalha" já começou a ser travada no aquecimento, com a Casa Branca e passar a ideia para os jornalistas de que as sanções que a comunidade internacional aplicou à Coreia do Norte com o avanço dos testes nucleares realizados em 2017 "só serão levantadas com a destruição integral do arsenal nuclear" norte-coreano.
Logo a seguir à questão nuclear, sendo que se esta não for ultrapassada, provavelmente não haverá outros pontos na agenda para discutir, poderá, segundo os analistas, estar o fim de facto da guerra entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que, desde 1953, se mantém em stand by, sem que um Tratado de Paz tenha sido assinado, existindo apenas um armistício que garantiu a ausência de confrontos militares mas não o capitulo final da Guerra da Coreia.
No entanto, este reaproximar entre Washington e Pyongyang não deixou de ter uma consequência, primeiro pela parte da China, que tem mantido contacto permanente com Pyongyang, de modo a garantir que as negociações avançam mas sem deixar de se precaver para qualquer eventualidade, até porque Kim é um dos grandes aliados de Pequim na região.
E também porque na memória das diplomacias mundiais está ainda fresco o que sucedeu com Muammar Kaddafi, na Líbia, que aceitou terminar o seu programa nuclear e acabou, poucos anos depois, morto e humilhado na rua com a ajuda daqueles com quem negociou, França, EUA e Reino Unido, entre outros.
Ou ainda a questão do acordo nuclear com o Irão, que foi assinado em 2015 pelo Presidente dos EUA, Barack Obama, e denunciado e abandonado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, agora, apenas dois anos após a sua assinatura.
Mas também a Rússia entrou em cena, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, a visitar Kim Jong-un em Pyongyang, a quem entregou um convite de Vladimir Putin para visitar a Rússia logo que seja possível.
Estas movimentações têm como pano de fundo a geoestratégia inerente ao nordeste asiático, onde diversos países mantém há décadas uma disputa territorial e de influência.
A questão que ainda não tem resposta clara é para o que pretende a Coreia do Norte com estas negociações.
Uma das possibilidades é já ter a garantia da China de uma espécie de guarda-chuva nuclear para quaisquer tentativas bélicas dos EUA ou da Coreia do Sul, podendo livrar-se das armas nucleares que construiu e beneficiar do levantamento das sanções.
Outra é que Kim Jong-un esteja convencido que consegue convencer Trump de que é seguro ficar com um arsenal nuclear limitado, com garantias de que não realiza mais testes nem acrescenta ogivas às que já possui.
No dia 12 de Junho, pelas 09:00, na cidade de Singapura, saber-se-á o que está efectivamente em jogo e o que um e outro lado admitem ceder.

