Há alguns dias, o mundo sobressaltou-se com a chegada da infecção por este vírus que provoca a mais letal das febres hemorrágicas conhecidas à Europa, depois de ter passado da RDC para o Uganda, mas agora o risco aumenta e não tem limites geográficos em África.

É que são cada vez mais os pacientes que foram diagnosticados com a infecção e procuram curas alternativas, como curandeiros e medicina tradicional, enquanto um novo risco emerge sem que se saibam as razões: os doentes estão a desaparecer às centenas.

Actualmente, os dados apontam para que perto de 400 infectados estejam em parte incerta depois de terem sido diagnosticados, um número que os especialistas estimam ser muito maior visto que, como sucedeu em todas as epidemias já registadas, quando surgem os sintomas, as pessoas refugiam-se e procuram soluções "mágicas" para a doença.

E com isso não apenas morrem mais depressa como levam o vírus para outras áreas, sendo que, como é da tradição em vastas regiões africanas, as pessoas voltam às suas aldeias para recuperarem e por vezes estas estão a centenas ou milhares de quilómetros.

O CDC-África, o organismo da União Africana para lidar com este tipo de problemas de saúde pública, já veio dar o alerta sobre os riscos inerentes a estes desaparecimentos, porque provocam falhas nas redes de controlo da infecção.

Até ao momento, depois de ter sido dado o alerta oficial em meados de Maio, a RDC e o Uganda já confirmaram mais de 1.100 casos, a esmagadora maioria na RDC, com perto de 300 mortos oficialmente registados, sendo já claro que estes números estão longe da realidade devido a múltiplos factores, sendo o mais relevante a procura de curas alternativas.

Além disso, a tradição de tocar nos corpos dos defuntos antes do enterro é outro factor de risco, porque o Ébola tem como principal via de transmissão o contacto físico com os fluídos corporais dos infectados.

Os países vizinhos, como o Sudão do Sul, Ruanda, Burundi, e mesmo Quénia, Zâmbia, ou embora menos expostos devido à distância do epicentro da epidemia, Angola e República do Congo, estão agora em foco ao saber-se que muitos dos doentes deixaram de ter paradeiro conhecido.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde já admite que em Setembro o número de casos relacionados com esta 17ª epidemia de Ébola desde que o vírus passou para a população humana, na década de 1970, chegará, e provavelmente ultrapassará, os 8 mil e o número de mortes os 1400.

Para piorar o cenário, esta epidemia está a desenvolver-se num território dominado por guerrilhas em conflito perpétuo com as forças regulares congolesas, ugandesas ou ruandesas, havendo mais de 5 milhões de pessoas em campos de refugiados, alguns com décadas de existência, e a OMS nota que mais de 1 milhão de pessoas não podem ser contactadas actualmente por esse motivo.