Quase quatro dias após o fecho das urnas, a contagem dos votos, ainda parcial, dá uma vantagem clara a Hakainde Hichilema, o Presidente e recandidato a um segundo mandato que tinha como principal opoente Brian Mundubile, a cara do "passado".

Do tempo em que a Zâmbia era e foi governada por Edgar Lungu e Mundubile foi o seu ministro das Províncias e agora procurava afastar do poder o neoliberal Hichilema, que se propõe a levar o país para a linha ideológica de Donald Trump, esvaziando o Estado do seu papel condutor da economia nacional.

E, pelos vistos, os zambianos, mais de 22 milhões e 9 milhões de eleitores, pensam que ele tem razão, apesar de o país estar a atravessar uma severa crise económica, o desemprego galopar montado na inflação que brota das reformas iniciadas em 2021 por aquele a quem os zambianos deverão voltar a dar a voz de comando sobre as suas vidas.

É verdade que os votos ainda estão a ser contados, mas dizer já que vai ganhar, pode ser uma notícia ligeiramente exagerada, embora os seus apoiantes e assessores já estejam de copo de champagne na mão, apontando mesmo para uma, isso sim, surpreendente vitória na primeira volta.

Embora o optimismo de Hichilema (na foto) seja claro, a oposição fala em unidades das formas de segurança do país a pressionar a oposição com raides violentos na casa de Mundubile, entre outros, como forma de dissuadir eventuais protestos após a divulgação dos resultados oficiais.

Segundo as agências, com mais de metade dos votos do país já somados, HH, como também é conhecido o incumbente, tem perto de 60% dos votos, segundo a comissão eleitoral zambiana.

Se este resultado se mantiver ou se descer ligeiramente mantendo-se acima dos 50%, Hakainde Hichilema deverá ganhar mais 5 anos para aplicar na Zâmbia as suas reformas neoliberais com as quais quer entregar aos privados o papel principal na economia deste país que partilha fronteira com Angola ao longo de mais de mil kms.