A Organização Mundial de Saúde (OMS), a agência da ONU para a saúde planetária, que considera ser esta a mais grave epidemia de Ébola na RDC de sempre, só ultrapassada, para já, pela da África Ocidental, em 2013/14, veio agora apelar com veemência a uma solução através do aceleramento da produção de uma vacina.

Isto, porque o vírus que está por detrás desta epidemia, o Bundibugyo, é a única das quatro estirpes conhecidas com impacto em humanos para a qual não existe uma vacina ou tratamento eficaz conhecido.

Essa é a razão pela qual a infecção não dá mostras de poder ser travada apesar dos meios extraordinários deslocados para o leste da RDC onde está a espalhar-se a uma velocidade nunca antes vista pelas províncias dos Kivu, Norte e Sul, Haute Uele e Tshop, a partir do foco original na cidade de Bunia, Ituri.

Outro problema agora reconhecido pela OMS, mas que já estava, como o Novo Jornal noticiou aqui, a ser dado como certo pela equipa de cientistas que descobriu esse dado há cerca de duas semanas, é que o vírus não começou a alastrar a 15 de Maio, como foi oficialmente determinado.

A verdade é que uma equipa de cientistas a trabalhar para a ONU determinou que a infecção já se está a espalhar pelo leste da RDC e, depois, pelo Uganda, onde foi debelada há um mês, desde Janeiro desde ano.

Este dado é de extrema relevância porque, por um lado, o vírus leva uma gigantesca vantagem perante as equipas médicas no terreno, e, por outro, admite, como notam alguns especialistas, que a sua velocidade de expansão esteja a ser sobrevalorizada por estar a ser encontrado em região onde não se sabia de antemão que já ali estava a infectar pessoas.

Apesar destas dúvidas, factos são que os últimos dados oficiais revelados apontam para mais de 1960 mortos em 4294 casos, embora estes sejam claramente superados pela realidade porque um número indeterminado, mas elevado, de pessoas acaba por morrer nas mãos de curandeiros tradicionais acabando por não chegar às estimativas oficiais.

Além disso, o número de infectados é tendencialmente igualmente muito superior porque as tradições ancestrais levam familiares e amigos a tocar nos cadáveres das vítimas porque é essa a norma nas cerimónias fúnebres enraizadas na cultura local, sendo igualmente a forma mais fácil para o vírus se dispersar pelas comunidades.