Numa ampla reportagem, o periódico revela que o presidente dos Emirados Árabes Unidos tinha alertado Netanyahu para uma operação planeada pelo Hamas, movimento islâmico palestiniano, dez dias antes do ataque.
Adianta ainda que, numa conversa de 45 minutos, o xeque Mohammed bin Zayed avisou o primeiro-ministro sionista de que o Hamas planeava uma acção, uma "grande surpresa", mas Netanyahu preferiu ignorar os alertas.
A reportagem do Haaretz, considerada "verdadeira" pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, baseou-se em informações contidas num livro que será lançado pelos jornalistas israelitas Shlomi Eldar e Ruti Yuval.
Yair Lapid, outro antigo primeiro-ministro israelita, confirmou a veracidade destas informações, recordando que também havia alertado publicamente para a possibilidade de um ataque antes deste ocorrer, tal como fizeram altos funcionários de segurança de Israel e autoridades egípcias. "Se Netanyahu tivesse cumprido o seu papel, o massacre teria sido evitado", escreveu Lapid num comunicado.
Estes dados mostram que Nethanyau, alvo de um mandado de captura internacional do TPI por "crimes contra a humanidade e crimes de guerra", agiu de forma premeditada, fria e calculista, transformando o ataque no pretexto de que precisava para desencadear impunemente o extermínio dos palestinianos.
Por isso, recusou também a proposta do Hamas para libertar incondicionalmente todos os 251 reféns no próprio dia 7 de Outubro, segundo o jornalista britânico-americano Mehdi Hasan. Na altura, Yahya Sinwar, líder do Hamas, garantira que os civis poderiam ser libertados "sem nada em troca", além do início de negociações.
Num vídeo intitulado "a verdade sobre o Hamas e os reféns", publicado no último Sábado, 12 de Setembro, pela plataforma de media Zeteo, Mehdi Hasan reafirma que o grupo palestiniano estava preparado para libertar todos os reféns civis no mesmo dia do ataque a Israel que terá causado mais de 1200 mortos e 251 reféns.
O Haaretz adianta, por outro lado, que o primeiro-ministro do Qatar contactou o então chefe da Mossad, David Barnea, por volta das 19 horas de 7 de Outubro, para transmitir a disponibilidade do Hamas para libertar todos os reféns civis. Doha também se ofereceu para mediar o conflito.
Estas revelações assumem particular relevância num contexto em que Washington e Telavive afirmavam constantemente e, aparentemente de forma cínica, que a libertação dos reféns era fundamental para pôr fim à guerra. De facto, Netanyahu chegou mesmo a estabelecer um "linkage" entre a libertação dos reféns e o fim da guerra genocida em Gaza.
Os dados, que não são de todo surpreendentes, mostram igualmente que, para atingir os seus objectivos políticos pessoais, o criminoso de Telavive, de forma macabra, escolheu sacrificar os seus concidadãos.
Por outro lado, perante o aumento dos ataques dos colonos israelitas contra palestinianos - uma deplorável "limpeza étnica" - e a expansão de construções de colonatos em território palestiniano da Cisjordânia, o novo Governo britânico anunciou, na semana passada, a decisão de impor sanções a Israel.
As sanções anunciadas pelo novo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, judeu ateu, descendente de uma família que perdeu 60 membros no Holocausto, inclui a "proibição de importar produtos provenientes dos colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia" e de "extremistas" defensores dos colonatos.
Posteriormente, outros 11 países - Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal e Suécia - juntaram-se ao Reino Unido, manifestando a sua "intenção de introduzir restrições nacionais e/ou apoiar restrições europeias ao comércio de mercadorias provenientes de colonatos ilegais à luz do direito internacional".
Os 12 países acusam Israel de, com a expansão de colonatos judaicos na Cisjordânia, considerados ilegais pela ONU, "minar a possibilidade de coexistência de dois Estados", Palestina e Israel.
Em Inglaterra, proeminentes rabinos britânicos manifestaram apoio às sanções divulgadas por Ed Miliband, alertando para a necessidade de se pôr fim ao tempo da inação em relação à violência praticada por esses colonos. ""É um bom começo", disseram.
Washington, aliado de Telavive, reagiu com prudência. O seu secretário de Estado, Marco Rubio, limitou-se a afirmar o óbvio, ou seja, que os EUA não seguirão o exemplo do Reino Unido, evitando fazer críticas directas à decisão de Londres. Esta posição surge a pouco menos de dois meses das eleições intercalares para a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de um terço dos 100 lugares no Senado.
Trata-se de uma posição táctica, num momento em que a popularidade de Donald Trump, Presidente dos EUA, caiu para os 34%, segundo a mais recente sondagem do Financial Times. Situação que ocorre num contexto marcado por descontentamento com o custo de vida, política de imigração, as tarifas e as consequências da guerra contra o Irão.
A resposta dos EUA mostra que as sanções britânicas contra os colonatos israelitas têm mais importância do que o simples simbolismo, "projectando o poder brando britânico e isolando Israel", admitem observadores panafricanistas em Londres.
Embora sejam apenas pequenos passos no contexto da impunidade de Israel, que conta com o beneplácito do mundo ocidental em geral, bem como de outros países, incluindo africanos seguidistas de "ordens superiores" de Washington, as sanções são importantes para a luta pelos direitos do povo palestiniano.
Com as sanções, Londres responde à pressão das ruas, onde desde Outubro de 2023 milhões de judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, hindus, ateus, agnósticos e outros têm denunciado o genocídio e exigindo medidas contra Israel.
Telavive condenou e acusou o Governo britânico de seguir os ""simpatizantes de terroristas árabes"" que promovem o anti-semitismo nas ruas, tendo anunciado sanções contra Londres.
Preocupado com as consequências dessas revelações a cerca de um mês das próximas eleições legislativas, o regime de Netanyahu justifica as suas políticas coloniais e de apartheid, alegando que a população israelita rejeita "enfaticamente" a criação de um Estado palestiniano , ignorando a vontade do povo da Palestina ocupada.
Desde o início do genocídio em Outubro de 2023, as forças israelitas mataram cerca de 74 mil palestinianos, entre os quais mais de 22 mil crianças, incluindo mais de 1100 bebés com menos de um ano de idade.
Mataram 246 jornalistas, um número muito superior ao de profissionais da comunicação social mortos nas duas guerras mundiais, nas guerras do Vietname, da Ucrânia e da Síria juntas, de acordo com o Sindicato de Jornalistas Palestinianos. Além disso, prenderam outros 206 jornalistas para evitar a divulgação dos seus crimes de guerra contra os palestinianos pelo mundo.
A destruição em grande escala de infra-estruturas causou um retrocesso de 77 anos do desenvolvimento humano de Gaza, cuja recuperação e reconstrução exigirão investimentos acima de 71 mil milhões de dólares, nos próximos 10 anos, segundo estimativas da ONU.
Essa devastação, que tornou a vida em Gaza desumanizada, abrange mais de 370 mil habitações, 94% dos hospitais e quase todas as escolas. Mais de 60% dos palestinianos na região ficaram sem casa e cerca de dois milhões de pessoas, quase toda a população de Gaza, foram deslocadas várias vezes.
Tudo isto foi feito com a cumplicidade de Washington e sua "fauna acompanhante", a Europa, à excepção da Espanha de Pedro Sanchez, apesar das repetidas denúncias de Francesca Albanese, relatora da ONU para os territórios palestinianos, de governos como o de Cyril Ramaphosa na Africa Sul e opinião pública de países como o Reino Unido.
E com esta impunidade, Netanyahu, tal como Hitler no Holocausto entre 1933 e 1945, usou o ódio e a violência para exterminar os palestinianos num genocídio desencadeado por capricho e pela ambição de poder.
Genocidar por capricho
"Uma humanidade desumana escolheu substituir os palestinianos por um outro povo, ainda ontem martirizado", Thomas Sankara.As últimas revelações sobre a política do regime sionista de Telavive na Palestina confirmam que o criminoso de guerra Benjamim Netanyahu desencadeou um genocídio em Gaza para salvar a sua pele.
Entre as revelações, destaca-se a investigação do jornal Haaretz que denuncia que Netanyahu foi antecipadamente informado, através de um "aviso explicito", de que o Hamas estava a planear o ataque de 7 de Outubro de 2023 (o pretexto utilizado para desencadear o subsequente genocídio), mas não tomou qualquer medida.
Entre as revelações, destaca-se a investigação do jornal Haaretz que denuncia que Netanyahu foi antecipadamente informado, através de um "aviso explicito", de que o Hamas estava a planear o ataque de 7 de Outubro de 2023 (o pretexto utilizado para desencadear o subsequente genocídio), mas não tomou qualquer medida.
