Blanche Chendovava, que falava na abertura do primeiro seminário nacional promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Alimentares do Comércio (SINAC), em parceria com o MAPTSS, os magistrados, a Provedoria de Justiça, os deputados e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), disse que a maturidade de uma nação laboral não se mede pela ausência de conflitos, mas pela capacidade de os transformar em soluções.

"A responsabilidade é de todos. Ao Estado cabe criar condições, às empresas investir e gerar oportunidades, aos trabalhadores contribuir com esforço e competência e às organizações sindicais representar com firmeza e visão de futuro", assinalou.

O responsável lembrou que, em 2024, o Governo e as centrais sindicais assinaram um acordo trienal para a valorização dos trabalhadores através do diálogo social, com vigência até 2027.

"Mais do que um conjunto de números, esse acordo é a escolha de resolver divergências pela negociação e não pelo confronto", referiu, salientando que o maior desafio do Executivo é a informalidade.

"É gente que produz, que vende, que sustenta famílias sem a protecção que a formalidade oferece. Formalizar não pode ser sinónimo de fiscalizar mais. Tem de ser sinónimo de compensar mais quem decide produzir dentro da lei", acrescentou.

Por sua vez, a Direcção Executiva Nacional do SINAC considerou inaceitável que os sindicatos sejam hoje vistos como empresas e centros de exploração dos direitos dos trabalhadores.

"Temos que denunciar aqui os sindicatos que não pagam Segurança Social, o Imposto sobre o Rendimento de Trabalho (IRT) e colocam as pessoas a trabalhar sem contratos e sem condições de trabalho", frisou, defendendo o fim da "ditadura sindical".

"Nós, os trabalhadores, temos que nos unir. Temos que tirar o sindicalismo das salas e dos escritórios e levá-lo para a rua. Não podemos aceitar que os activistas ocupem o espaço do sindicato", concluiu.

Em Angola, existem três principais centrais sindicais que defendem os direitos dos trabalhadores: a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos - Confederação Sindical (UNTA-CS), a Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) e a Força Sindical Angolana - Central Sindical (FSA-CS).