E não é apenas porque o Irão e Omã, os dois países que partilham os promontórios que confinam o Estreito de Ormuz, estão em vias de chegar a um acordo que pode sossegar Donald Trump em Washington, apertado como está o Presidente norte-americano com a proximidade das eleições intercalares nas quais pode perder tudo, incluindo a sua carreira política.
É também porque começa a ser claro que o ruído em torno do Dia D Económico com que Trump ameaçou o Irão (ver links em baixo), mas meteu o seu secretário do Tesouro (ministro das Finanças), Scott berssent, a mostrar o que pretende com esta ameaça, parece cada vez mais um convite a Teerão para chegar a bom porto com novas negociações.
Ao mesmo tempo que Omã e Irão definem os pormenores do seu acordo, o Paquistão tem no terreno o seu CEMGFA, o marechal de campo Assim Munir, a procurar aproximar novamente Washington e Teerão para evitar o recomeço da guerra.
E nem sequer a reacção em Telavive a esta nova possibilidade de paz do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyhau, que precisa de manter o conflito para ter possibilidade de manter o poder nas eleições legislativas de Setembro, que chamou "bando de selvagens" aos iranianos com quem "nunca será assinado um acordo", parece demover o optimismo nos mercados.
É que se o Irão chegar a um entendimento sólido para abrir um corredor navegável com Omã, que conforte Donald Trump e as suas pretensões eleitorais para as intercalares de Novembro, a isso seguir-se-á, quase de certeza, um aliviar da pressão dos Houthis sobre a Arábia Saudita e sobre o outro canal estratégico que é Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho/Canal do Suez.
Além disso, o Catar juntou-se ao Paquistão na retoma dos esforços diplomáticos, abrindo novas perspectivas para que iranianos e norte-americanos tirem o dedo do gatilho...
A somar a este conjunto de razões substantivas para amansar os mercados, soube-se esta semana que a China, o maior importador de crude do mundo, reduziu propositadamente as suas aquisições externas em mais de 5% como forma de não deixar os mercados deslizar sob a pressão dos conflitos em curso no mundo, desde logo no Golfo Pérsico, mas também entre a Ucrânia e a Rússia...
Face a este cenário, o barril de Brent, a principal referência para as exportações angolanas, estava esta quarta-feira, 26, perto das 14:20, hora de Luanda, a valer 86.3 USD, menos 2,10% face ao fecho de ontem e quase 5% desde o início da semana, sendo o rumo em Nova Iorque semelhante, com o WTI a valer 80,02 USD.




