"Tenho, particularmente, uma profunda admiração pelo Uíge. Pela resiliência do seu povo, pela riqueza das suas tradições, pela diversidade cultural que é seiva da nossa angolanidade e pelas belezas naturais que são espelho da grandeza da nossa terra", escreveu o líder da UNITA na sua página oficial.

"Partimos com o sentido pleno do dever, revestidos de energia cívica e militante, certos de que este diálogo fraterno nos há-de inspirar nas grandes decisões que o país reclama", acrescentou, salientando que mais do que um destino, esta província é um símbolo do potencial que urge potencializar.

Adalberto Costa Júnior disse também que a reunião ordinária do comité permanente da comissão política que terá lugar esta sexta-feira, 04, será o "momento de perscrutarem a conjuntura nacional, de auscultar a realidade orgânica do partido e de robustecer a coesão interna, com o olhar fixo no horizonte eleitoral que se avizinha".

Depois dos graves incidentes registados em 08 de Agosto de 2026, na cidade do Uíge, que geraram acusações mútuas entre a UNITA e a Polícia Nacional de Angola, a reunião desta sexta-feira, 04, de Setembro, decorrerá sob o lema "Com Unidade e Inclusão, Realizar a Alternância do Poder em 2027, UNITA - a Esperança dos Angolanos" será dedicada à análise da situação política, social e económica do País e, em particular, sobre o desempenho do partido durante os meses de Junho, Julho e Agosto do ano em curso.

A UNITA considera "desastrosa e catastrófica" a situação económica e social do País, sublinhando que o actual modelo de governação do MPLA "normalizou a sobrevivência", empobrecendo de forma severa as famílias e sufocando o sector empresarial.

Relativamente à vida interna, o principal partido da oposição vai avaliar o processo de intensificação a auscultação, mobilização e expansão das suas estruturas de base em todas as províncias de Angola para fortalecer a organização com vista às eleições gerais de 2027.

O plano visa garantir maior coesão interna e prontidão para a alternância de poder.

O encontro que reúne os principais dirigentes do maior partido da oposição vai ainda abordar as tensões institucionais que a UNITA tem vindo a denunciar em múltiplos fóruns nacionais e internacionais.

Refira-se que pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, 10 com gravidade, na sequência da intervenção da polícia junto à sede da UNITA no Uíge, no mês de Agosto deste ano.

Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional cercou a sede provincial do partido, para impedir um acto político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

A UNITA apresentou queixa-crime contra o governador do Uíge, José Carvalho da Rocha, e contra o comandante provincial da Polícia Nacional, Ernesto Hayamunha, após os incidentes de 08 de Agosto de 2026.

A Polícia Nacional de Angola rejeitou as acusações da UNITA e condenou o uso político do incidente. O segundo comandante-geral da Polícia Nacional, Orlando Bernardo, afirmou que existem tentativas deliberadas de descredibilizar a reputação e a imagem da instituição policial.