“Estou farto desta novela” parece ser a expressão que muitos têm vontade de expressar mas não o fazem – ainda – sobre o comportamento, recorrente, do futebolista Manucho Gonçalves quando se trata da selecção nacional de honras.
Mais uma vez se regista a indisponibilidade do actual avançado dos espanhóis do Rayo Vallecano, Manucho Gonçalves, para servir os Palancas Negras em mais uma ‘empreitada’ de apuramento para o Campeonato das Nações Africanas (CAN) a realizar, em 2017, no Gabão.
Sobre o episódio mais recente, o actual seleccionador, José Kilamba, confirmou ao programa ‘Manhã Desportiva’ da LAC, que Manucho Gonçalves condicionou a sua vinda à selecção a uma conversa prévia com o presidente da FAF, o general Pedro Neto. Segundo o técnico, o avançado queria – ou quer – esclarecer com o presidente da FAF a polémica sobre a sua anterior convocatória, exactamente em Outubro de 2014.
A edição digital do Novo Jornal contactou o presidente da FAF, Pedro Neto, que, prontamente, confirmou estar sempre disponível para falar “seja com quem for da selecção nacional”.
Pedro Neto garantiu ainda que, apesar das diversas tentativas de contacto para Espanha, não conseguiu falar com o jogador, nem por telefone nem via internet. “Estou farto de tentar chegar à fala com o Manucho, mas não o consegui até agora” (ontem ao final da tarde) – desfecho que se repetiu em todas as tentativas do NJ.
O dirigente garantiu, contudo, que “esta situação não vai abalar o momento de grande entusiasmo que envolve o grupo” que estará completamente disponível para os próximos compromissos, rumo ao CAN 2017, no Gabão.
Ainda assim, o caso reaviva o debate sobre o comportamento do jogador. Afinal, ainda está viva na memória de muitos a atitude do jogador, actualmente em boa forma no Rayo Vallecano da Liga de Espanha – marcou quatro golos em quatro jornadas – quando, em 2009, foi figura central de um desentendimento com o seleccionador na altura, o português Manuel José. Um problema que chegou a ser discutido nos corredores ‘mais altos’ do país.
De recordar ainda que, para o apuramento para o CAN 2015, em Outubro de 2014, o avançado do Rayo Vallecano, acabou dispensado sem que a FAF anunciasse as razões para o seu afastamento da convocatória para a dupla jornada com o Lesoto. Soube-se apenas que substituiu quatro jogadores, três por lesão, enquanto a saída de Manucho Gonçalves permaneceu por explicar.
Em entrevista à Rádio Cinco, em Dezembro, o então seleccionador, Romeu Filemon, acabou por confessar que as faltas sucessivas às chamadas da selecção tinham levado a equipa técnica e a direcção da FAF a deduzir que o jogador não estava com vontade de representar os Palancas Negras.
Já anteriormente, o comentador desportivo Rui Gomes havia reconhecido que o jogador era o culpado da situação, “devido aos problemas disciplinares que tem na selecção”, defendendo que o seleccionador fez muito bem em não convocá-lo”.
Sobre a passagem de Manucho Gonçalves pelos Palancas Negras, há o registo de 35 jogos com a camisola nacional, 2.920 minutos jogados, 17 golos marcados e, no aspecto disciplinar, viu 2 cartões amarelos.
O atacante, que festejou o seu 33.º aniversário no passado dia 7 de Março, é de resto a ausência mais sonante na lista dos 24 convocados por José Kilamba para o próximo confronto com a República Democrática do Congo (RDC). A partida joga-se na quarta-feira, dia 23, e é valida para a 3.ª jornada (grupo B) de acesso à fase final do CAN2017.
Entre os convocados, o maior contingente (7) vem do estrangeiro e inclui: os avançados Mateus Galiano, do Arouca, Dolly Menga, do Tondela, e Pena, do Marítimo B, de Portugal; os médios Joaquim Adão, dos suíços do Sion, e Clinton Mata, do Charleroi da Bélgica, e os defesas Bastos, do Rostov, actual líder da liga russa, e Jonathan Buatu, dos belgas do Bevren.
