Esta revisão tem em conta o choque de oferta registado nos quatro primeiros meses, de acordo com a informação publicada no site do Banco Central, depois da reunião do Comité de Política Monetária (CPM) em que foram analisados o comportamento recente e as perspectivas dos principais indicadores económicos, tendo presente o desenvolvimento actual da situação pandémica.
A "lenta recuperação" da economia internacional, apesar dos progressos da vacinação em vários países e da introdução de estímulos fiscais e monetários, bem como "pressões inflaccionistas", com origem no lado da oferta, a nível nacional são os factores apontados para o aumento da inflacção anunciada.
Segundo o BNA, o Índice de Preços no Consumidor Nacional registou uma variação de 1,78% e 2,09% em Março e Abril de 2021, respectivamente, levando a inflacção acumulada para 7,65% e a homóloga para 24,82% em Abril.
"O aumento da inflacção decorreu, fundamentalmente, do maior incremento na variação de preços da classe Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas, reflexo do choque de oferta agregada de bens alimentares, justificado pela redução da oferta interna que não foi suficientemente compensada por importações", explica o Banco Central.
O BNA informa ainda no seu site que, no que respeita ao mercado cambial, o kwanza acumulou ganhos de 1,24% e 4,48% em relação às suas congéneres norte-americana e europeia no mês de Março, mas no mês seguinte depreciou em 3,25% e 6,08% face às moedas norte-americana e europeia, reduzindo a apreciação acumulada para 0,51% e 1,94%, respectivamente.
As Reservas Internacionais "permanecem em níveis confortáveis", informa igualmente o BNA, que refere que o stock de Reservas Internacionais Brutas se situou em 14,59 mil milhões de dólares em aAbril, contra 14,98 mil milhões de dólares no mês de Março, equivalente a um grau de cobertura de importações de bens e serviços de aproximadamente 11 meses.
As Reservas Internacionais Líquidas fixaram-se em 7,99 mil milhões de dólares, face aos 8,42 mil milhões de dólares de Março.
"Relativamente às contas externas, as novas projecções apontam para um saldo global superavitário da Balança de Pagamentos na ordem de 450 milhões de dólares, o que permitirá uma ligeira acumulação de reservas internacionais na mesma magnitude, justificada fundamentalmente pelo efeito positivo da subida dos preços de petróleo nos mercados internacionais", lê-se no comuniciado do Banco Central.
Tendo em conta os indicadores, o CPM decidiu manter a taxa básica de juro em 15,5% e aumentar o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira de 17% para 22%, terminando-se a obrigatoriedade de cumprimento parcial em moeda nacional.
Mantêm-se a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, indexada à taxa de juro de mercado dos Bilhetes do Tesouro para 91 dias, acrescida de 0,5%, e a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez com maturidade de 7 dias em 12%.
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola será realizada no dia 29 de Julho de 2021, informa por último a instituição.