Na Casa Branca, onde estava a averiguar cinco planos de forte acção militar contra o regime iraniano, o Presidente dos EUA, embora não tenha posto de lado uma intervenção armada, vem agora anunciar 25% de tarifas extra sobre quem fizer negócios com Teerão.
Esta medida visa aprofundar a crise económica que o Irão enfrenta há vários anos, gerada pelas sanções norte-americanas e europeias, e que está na génese da substancial depreciação da moeda nacional, o Rial, que alguns analistas, como Seyed Marandi, um professor universitário em Teerão, dizem ter sido gerada a partir do exterior com esse propósito, e da inflação galopante, que é uma consequência directa da fragilidade cambiaçl do país.
Esses problemas económicos foram o combustível para cerca de duas semanas de protestos populares que, em diversas ocasiões resvalaram para confrontos mortais com a polícia, e que o Governo iraniano vem agora dizer que houve um aproveitamento externo para incendiar as ruas do país.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, tal como o Presidente Masoud Pezeshkian, admite que as manifestações eram legítimas e movidas por problemas económicos mas que a CIA e a Mossad israelita aproveitaram para empolgar de forma a dar uma justificação à Casa Branca para ordenar um ataque ao Irão.
Depois dos primeiros dias de protestos contra o custo de vida insustentável para milhares de iranianos, com uma inflação galopante e uma crise cambial histórica, surgiram nos media ocidentais imagens de uma vontade de mudança de regime em Teerão.
Mudança essa que teve como rosto o filho do último Xá do Irão, deposto pela revolução islâmica, em 1979, com o mesmo nome, Reza Pahlavi, que, a partir dos EUA, onde está exilado, lançou fortes e repetidos apelos à violência nas ruas de Teerão.
E que as autoridades iranianas colam à Mossad e à CIA como referência para o projecto alimentado há décadas em Washington e Telavive para erradicar o poder vitalício dos aiatolas, a entidade suprema, embora o poder executivo pertença ao Presidente, que é eleito periodicamente em eleições democráticas e fortemente disputadas.
Entretanto, com o esfriar dos ânimos nas ruas de Teerão, e depois de o aiatola Ali Khamenei ter vindo garantir que o Irão vai ripostar com todo o seu poder de fogo contra qualquer atasque dos EUA ou de Israel, em Washington Trump parece estar a baixar o tom das ameaças.
Isto sem que, como nota The Guardian, a hipótese de uma intervenção militar directa dos EUA sobre o Irão não esteja colocada de parte em definitivo, como, de resto, a Casa Branca tem dito desde a "guerra dos 12 dias", em Junho de 2025, que terminou com o ataque dos EUA à infra-estrutura nuclear iraniana a 22 desse mesmo mês. (ver links em baixo)
"Todos os países que façam negócios com o Irão passam a ficar sujeitos a tarifas de 25% sobre todos os produtos exportados para os EUA", avisou Trump numa publicação na sua rede social, a Truth Social, sendo esta ordem "final e inapelável", embora esta decisão esteja a ser fortemente contestada por Pequim e por Moscovo.
Face a este ataque tarifário colateral ao Irão, a China já veio garantir, através da sua embaixada nos EUA, que está contra "todas as sanções unilaterais e fará o que for necessário para defender os seus interesses".
Interesses esses que não são apenas a compra de crude iraniano, passam, essencialmente, pela relevância deste país no mapa da Nova Rota da Seda que aproximará Pequim do resto do mundo num investimento colossal de biliões de USD.
Isto, numa altura em que várias embaixadas ocidentais estão a retirar pessoal de Teerão, algumas companhias aéreas deixaram momentaneamente de voar para a capital iraniana, enquanto nas ruas do país os protestos populares deixaram de se fazer sentir.
Isto, ao mesmo tempo que em Teerão começam a ser divulgados elementos de prova, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, do papel da Mossad e da CIA na entrega de armas aos manifestantes mais radicais, a maior parte elementos levados do exterior para realizar as acções mais violentas.
Contexto igual ao que este responsável veio garantir que o Irão não pretende entrar em qualquer conflito mas que ripostará rapidamente contra qualquer agressão externa: "Nós não queremos guerra, mas estamos preparados para a guerra. Ainda mais preparados que na última", a de Junho de 2025.










