Emmanuel Macron chegou a Nairobi para participar na iniciativa francesa projectada para a capital queniana denominada "Africa Forward Summit - Cimeira do Avanço Africano", que tem lugar esta segunda-feira e amanhã, terça, 12, depois de ter estado no Sábado, no Egipto e estar ainda a caminho da Etiópia logo a seguir.

Mas esta investida diplomática na África Oriental do Presidente francês, escolhendo um país anglófono, não é alheia ao facto de Paris estar em "pé de guerra" com países como o Níger, o Burquina Faso e o Mali, que resultou numa perda de influência regional relevante.

Com esta Cimeira em Nairobi, onde Macron junta vários líderes africanos, ou seus representantes, a França, como nota o site AfricaNews, procura "começar de novo" a sua pegada no continente, com uma nova política para África.

Este recomeço visado neste "tour" de Macron procura deixar para trás os malefícios do passado da "FranceAfrique", referência que hoje tem sentido negativo entre a maior parte dos países francófonos africanos porque significa a continuidade do poder colonial de Paris.

A ideia, como se percebe das análises feitas por analistas franceses é que ao escolher um país anglófono, Emmanuel Macron procura mostrar s universo dos países africanos francófonos que Paris está de facto com um olhar diferente para África e a querer prova-lo no terreno, especialmente sem a procura de domínio neocolonial.

E a suspensão dos media franceses no Níger, o que já tinha sucedido no Mali e no Burquina Faso, em grande medida, foi justificada pelo Observatório Nacional dos Média (regulador estatal) em Niamey com a necessidade de "preservar a paz e a segurança" no país.

Isto, quando surgem denúncias de que a recente conquista de grandes espaços territoriais no Mali por forças jihaditas ligadas à al Qaeda e aos rebeldes tuaregues (ver links em baixo) tem organização, logística e financiamento franceses.

Ainda assim, esta medida estatal nigeriana está a ser fortemente criticada pelas organizações internacionais, como os Repórteres Sem Fronteiras, que dizem que a suspensão dos nove media franceses - France 24, RFI, France Afrique Média, LSI Africa, AFP, TV5 Monde, TF1 Info, Jeune Afrique e Mediapart - é uma ilegalidade que resulta de acusações "fabricadas".

Estas organizações garantem ser "falsa" a ideia passada por Niamey de que os media franceses representam "uma ameaça pública e de segurança nacional" no Níger.