Entretanto, o SINDEA diz que, se não houver diálogo entre as partes, a greve vai continuar na próxima semana.

Ao Novo Jornal, o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola, Cruz Matete, disse que as negociações entre o SINDEA e o Governo do Bengo começaram no princípio de 2025, tendo o Governo feito várias promessas que não foram cumpridas.

Entre elas, explicou, está a disponibilização de transporte para os enfermeiros na rota Luanda/Caxito, visto que a maioria reside na capital do País, a cedência de terrenos e o pagamento de subsídios referentes à época da Covid-19.

Quanto à cedência de terrenos, o SINDEA diz que a distribuição de lotes não abrangeu todos os enfermeiros, tendo sido distribuídos apenas 10 lotes, número insuficiente para os mais de 600 profissionais.

Ao Novo Jornal, o SINDEA lamenta ainda a falta de condições laborais dos enfermeiros, nomeadamente de acomodação e alimentação.

O sindicato fala também em falta de medicamentos nas unidades sanitárias e de material de trabalho.

Sobre a greve em curso, o sindicato denuncia ameaças, perseguições e a retirada de cartazes alusivos à paralisação das unidades de saúde pelas autoridades da direcção provincial da Saúde do Bengo, "numa clara violação da Lei de Greve".

Entretanto, o director do gabinete provincial do Bengo da Saúde, Matondo Alexandre, assegura que o Governo Provincial do Bengo atendeu 13 dos 15 pontos reivindicativos, correspondendo a cerca de 90% das reivindicações.

Segundo o director provincial, as restantes questões são de natureza administrativa e não dependem do Governo Provincial, mas sim da estrutura central.

Neste sentido, frisou não haver fundamentos plausíveis para a realização da greve pelos enfermeiros.

Conforme este responsável, as reivindicações dos enfermeiros não estão a ser ignoradas, sendo que os pontos pendentes continuam a ser acompanhados pelas autoridades, dentro dos mecanismos legais, administrativos e financeiros.