Em conferência de imprensa hoje realizada pela chefe do escritório da UNICEF em Gaza, Sónia Silva, a representante humanitária lamentou que a situação se mantenha crítica e sem melhorias apesar do cessar-fogo oficial declarado em outubro do ano passado.
Referindo que os ataques israelitas continuam a acontecer, Sónia Silva referiu que 800 mil crianças vivem em condições de sobrelotação, sem acesso a serviços essenciais como água e recolha de lixo, e em risco de contraírem infeções.
"São necessidades imensas e urgentes", destacou, pedindo mais ajuda humanitária, alimentos ricos em proteínas, material médico essencial e produtos de higiene para restaurar a dignidade das pessoas.
"É preciso, "acima de tudo, melhores condições de abrigo", afirmou, exemplificando com a morte por hipotermia de 11 crianças durante o inverno passado.
Também são necessários "equipamento energético para hospitais, material escolar e infraestruturas pré-fabricadas para a saúde, educação e habitação", acrescentou, pedindo a colaboração do setor privado.
Segundo Sónia Silva, 14 mil pessoas precisam de ser retiradas de Gaza para receberem cuidados médicos adequados, das quais 28,6% são crianças.
A representante da ONU adiantou ainda que há uma incidência "muito elevada" de deficiência entre os menores (cerca de 10%) e sublinhou que cerca de 10 mil pessoas sofrem de subnutrição grave ou moderada, incluindo mulheres grávidas, o que contribui para o facto de cerca de um em cada cinco bebés nascerem com baixo peso.
Ao mesmo tempo, conta-se cerca de 300.000 crianças em idade escolar que não conseguem frequentar a escola.
"Para elas, ir à escola é uma esperança de futuro", salientou Sónia Silva.
O número de palestinianos mortos na Faixa de Gaza por Israel ultrapassa os 72.500, incluindo mais de 21.000 crianças, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo islamita palestiniano Hamas, mas considerados credíveis pela ONU.
A guerra na região teve início em outubro de 2023, quando o braço armado do Hamas matou 1.200 pessoas e raptou 250 em território israelita, que respondeu com uma intensa campanha militar.
Apesar de a 10 de outubro ter entrado em vigor um cessar-fogo, pelo menos 773 habitantes de Gaza morreram nos últimos seis meses devido a ataques israelitas.
Na sexta-feira passada, dois motoristas da UNICEF foram mortos pelas tropas israelitas quando transportavam água potável em camiões-cisterna na Cidade de Gaza.
