A intervenção militar norte-americana ocorreu durante a madrugada de sexta-feira para hoje, Sábado, materializando aquilo que o Presidente Donald Trump tem vindo a admitir ao longo dos últimos meses, acompanhando uma poderosa força naval no Mar das Caraíbas sob a justificação de combater o tráfico de droga. (ver links em baixo).
Os ataques, que ocorreram ao mesmo tempo em diversas cidades da Venezuela, terão permitido apanhar de surpresa Maduro e o regime, tendo este, com a sua mulher, segundo Trump, sido capturados e levados para fora do país.
Mas não é certo que o regime tenha sido mesmo alterado de forma irreversível, porque o Governo emitiu um comunicado oficial onde garante que está a controlar a situação e aparentemente as forças armadas do país não foram desmanteladas na sua chefia de topo, estando a correr nas redes sociais informações não verificadas de que o plano de defesa nacional de Maduro foi iniciado.
O cenário mais plausível, segundo os media internacionais ocidentais, é que o regime acabe por cair agora e que os comandantes militares aceitem o mal menor que será a realização de eleições "livres" e que permitam a vitória da escolha de Washington para liderar a Venezuela e o seu potencial em recursos naturais, como o petróleo e o ouro.
Maria Corina Machado, a quem os EUA "ofereceram" o Prémio Nobel das Paz, deverá, se este plano for executado até ao fim e com sucesso, deverá ser a próxima Presidente da Venezuela.
O que se sabe até agora
Para já, o que se sabe, de acordo com o relato da Lusa, é que o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou este sábado que o homólogo da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e retirado à força do país, após os Estados Unidos terem realizado um "ataque em grande escala" no país.
O Governo da Venezuela denunciou, quase em simultâneo, uma "gravíssima agressão militar" após as explosões que abalaram a capital durante a noite, e o Presidente Nicolás Maduro decretou estado de excepção.
"A Venezuela rejeita, repudia e denuncia [...] a gravíssima agressão militar perpetrada pelos [...] Estados Unidos contra o território e a população venezuelanos, em localidades civis e militares de Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, nos arredores de Caracas", refere um comunicado do Governo.
O Presidente Nicolas Maduro decretou o estado de excepção e apelou a "todas as forças sociais e políticas do país para cativarem os planos de mobilização", segundo o comunicado.
O Governo da Venezuela, na declaração, convocou os seus apoiantes a irem para as ruas. "Povo às ruas!", refere-se na declaração.
Caracas anunciou também que irá denunciar nas Nações Unidas a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos no país.
A declaração acrescenta que Maduro ordenou "a implementação de todos os planos de defesa nacional" e declarou "estado de perturbação externa", um plano de emergência que lhe dá o poder de suspender os direitos das pessoas e expandir o papel das forças armadas.
O comunicado surge numa altura em que as forças armadas dos Estados Unidos têm, nos últimos dias, tido como alvo barcos suspeitos de contrabando de drogas. Na sexta-feira, a Venezuela disse estar aberta a negociar um acordo com Washington para combater o tráfico de drogas.
Para já, desconhece-se a existência de vítimas.
A partir de Bogotá, o Presidente colombiano, Gustavo Petro, denunciou já o ataque com mísseis contra Caracas, após as fortes explosões na capital venezuelana, e pediu uma reunião "imediata" da Organização dos Estados Americanos (OEA).
"Alerta Geral, eles atacaram a Venezuela", escreveu o Presidente colombiano, próximo de Maduro, sublinhando que, quer a OEA quer a ONU, "devem pronunciar-se sobre a "legalidade internacional" dessa "agressão" contra o país vizinho.
Entretanto, a Força Aérea dos Estados Unidos emitiu um aviso oficial que proíbe todas as aeronaves de circular no espaço aéreo da Venezuela, após os ataques na capital do país sul-americano que o Presidente Donald Trump teria ordenado, segundo a CBS.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos proibiu os aviões comerciais norte-americanos de operar a qualquer altitude sobre o espaço aéreo da Venezuela, alegando riscos à segurança decorrentes da atividade militar em curso no país sul-americano.
O aviso, conhecido como NOTAM, entrou em vigor às 02:00 locais de hoje (06:30 em Lisboa), e terá validade de 23 horas.
No documento, a autoridade aeronáutica norte-americana não especifica quais forças militares estariam envolvidas nas operações que motivaram a restrição.
Segundo a CBS News, Trump ordenou os ataques aéreos dentro do território venezuelano há alguns dias, citando funcionários sob condição de anonimato.
EUA dizem que operação terminou e Rússia condena
Entretanto, segundo a Administração norte-americana, não haverá novos ataques e o plano foi integralmente cumprido, embora esteja longe de ser certa a mudança do regime, sendo que existe, segundo alguns media sul-americanos, a possibilidade desta operação ter sido desenvolvida em coordenação com unidades militares venezuelanas a quem competirá agora os subsequentes desenvolvimentos para eliminar de vez o regime "chavista"
Os Estados Unidos da América terminaram para já os ataques militares à Venezuela, afirmou hoje um senador republicano citando o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio.
Rubio "não prevê nenhuma ação suplementar na Venezuela agora que [o Presidente venezuelano, Nicolás] Maduro foi detido pelos Estados Unidos", afirmou na rede social X o senador Mike Lee, inicialmente crítico de uma intervenção norte-americana, após uma conversa telefónica com o secretário de Estado da administração de Donald Trump.
O 'número dois' da diplomacia dos Estados Unidos declarou hoje que a Venezuela entrará numa "nova era" depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter admitido um ataque em larga escala contra o país.
"É uma nova era para a Venezuela", afirmou o secretário de Estado adjunto, Christopher Landau, numa mensagem na rede social X.
E em Caracas, quase ao mesmo tempo, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou hoje desconhecer o paradeiro do Presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, após Donald Trump ter confirmado um ataque contra o país e anunciado a captura de ambos.
Também a Rússia condenou este Sábado, 03, a "agressão militar" dos Estados Unidos da América contra a Venezuela e pediu diálogo para evitar uma escalada maior de violência na região.
"Na situação actual, é sobretudo crucial evitar uma escalada maior e encontrar uma saída através do diálogo", lê-se num comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.












