Donald Trump quer-se dedicar por inteiro aos problemas internos, seja a questão da economia, que está a atravessar uma crise séria com uma inflação crescente e desemprego ameaçador da paz social, mas não está fácil.

Porque tem a guerra na Ucrânia a saltitar em cima da sua mesa de trabalho na Sala Oval da Casa Branca e porque o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyhau lhe leva ainda mais problemas para resolver com o Irão, Trump parece não ter tempo para lidar com os seus próprios assuntos.

Desde logo as eleições intercalares de Novembro deste ano, onde arrisca perder as maiorias no Senado e na Câmara dos Representantes do Congresso, sendo que para isso poderá contribuir decisivamente a crise económica bem como os conflitos que tem na mesa de trabalho.

Para já, ao que tudo indica, como se percebe com a transformação radical da postura de Volodymyr Zelensky sobre as eleições, que já deveria ter realizado em Maio de 2024, mantendo o poder devido apenas à Lei Marcial que renova a cada 90 dias, Donald Trump quer resolver o assunto no leste Europeu.

Segundo as notícias divulgadas pelas agências esta quarta-feira, 11, Trump ameaçou Zelensky de que não lhe concederá quaisquer garantias de segurança para o pós-conflito se não aceitar ceder para facilitar um acordo com os russos em questões territoriais.

Para isso, segundo vários analistas, Zelensky terá de fazer um referendo popular, o que não faria sentido sem realizar eleições Presidenciais, porque ambos exigem o mesmo tipo de condições.

Como avançam vários media, Kiev já tem planos para realizar eleições presidenciais ao mesmo tempo que um referendo sobre as condições para um acordo de paz com a Rússia.

O Financial Times nota que , depois de Donald Trump ter insistido para que Kiev avance com este ciclo eleitoral até 15 de Maio, sob pena de perder garantias de segurança norte-americanas, pouco ou nada resta a Zelensky para fazer que não seja cumprir com esta exigência.

Segundo o Financial Times, que cita responsáveis ucranianos e ocidentais, a iniciativa surge num contexto de forte pressão da Casa Branca para concluir as negociações de paz na primavera. O plano está alinhado com a intenção de fechar todos os documentos até junho, pondo fim ao maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

E a CNN diz também que Volodymyr Zelensky deverá anunciar a proposta a 24 de fevereiro, na passagem do 4º aniversário da invasão russa.

"Os ucranianos têm a difícil ideia de que tudo isto tem de ser combinado com a reeleição de Zelensky", referiu um funcionário ocidental familiarizado com o assunto.

A realização de eleições representaria uma mudança significativa, depois de o Presidente ter defendido que o estado de lei marcial, os milhões de deslocados e a ocupação de cerca de 20% do território inviabilizavam qualquer votação.

O calendário e o eventual ultimato dos EUA dependem de progressos nas negociações com Vladimir Putin, notam vários media internacionais.

Washington terá condicionado as garantias de segurança a um acordo mais amplo, que poderá incluir concessões no Donbass.

Embora, recorda a CNN, Zelensky tem resistido a ceder território, numa altura em que o seu apoio popular tem vindo a diminuir.