É que Donald Trump justificou a decisão de não incluir navios chineses no crivo marítimo que está a ser feito, alegadamente, porque isso ainda não foi confirmado, por 25 navios de guerra norte-americanos ao Irão, na passagem estreita entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, com a promessa de Pequim não fornecer armamento a Teerão.
As autoridades chineses dizem que não estão a fornecer armas ao Irão desde o começo deste conflito iniciado a 28 de Fevereiro com o ataque da coligação israelo-americana, embora várias fontes apontem para a chegada de múltiplos aviões de carga chineses e russos à capital iraniana, agora e antes das hostilidades terem começado.
O que, segundo vários analistas, como Larry Johnson, antigo analista da CIA, confirma que os EUA não têm nem estratégia nem plano sólido para gerir esta guerra e que estão a navegar à vista (cabotagem) recuando sempre que as opções que tomam se revelam, como é o caso, contrárias, na sua consequência, ao esperado.
É que o bloqueio dos EUA ao bloqueio que o Irão já tinha implementado no Estreito de Ormuz, afunilando além dos 20% do crude e do gás mundiais, vitais quantidades de fertilizantes e hélio, para a indústria 2.0 dos chips, como nota Douglas McGregor, antigo coronel dos EUA e conselheiro do secretário de Estado no primeiro mandato de Donald Trump, "nunca chegou a ter qualquer eficácia".
Isto, porque, explica este militar na reforma mas com múltiplas missões no Médio Oriente, desde a guerra do Iraque ao Afeganistão, os navios norte-americanos que servem o bloqueio de Trump estão a uma tal distância de Ormuz, devido á ameaça dos misseis iranianos anti-navio, que não representam qualquer tipo de ameaça ao trânsito naval naquela passagem estratégica.
Além disso, Donald Trump, como noticiou, entre outros media, a Al Jazeera, está a sofrer uma forte pressão dos países aliados dos EUA no Golfo Pérsico, desde logo a Arábia Saudita, para não dar eficácia ao cerco marítimo ao Irão porque a resposta de Teerão, como tem sido desde que o conflito começou e até ao cessar-fogo iniciado na semana passada, será, nesse caso, sobre si.
Porém, esta bloqueio norte-americano algum efeito estará a conseguir sobre Teerão, porque o Governo iraniano anunciou que foram dadas ordens à sua guarda de fronteira para aligeirar o controlo e as normas vigentes sobre a entrada de bens no país oriundos dos sete países com que faz fronteira terrestre, além de a Guarda Revolucionária ter ameaçado fechar, através dos seus aliados do Iémen, a Ansar Allah (Houthis), o Estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho e o Canal do Suez ao Oceano Índico se Trump não levantar o crivo naval.
O Irão tem fronteira terrestre com a Arménia, Azerbaijão e Turquemenistão a norte; Afeganistão e Paquistão a leste; e Turquia e Iraque a oeste, contando aindA também com extensas fronteiras marítimas no Mar Cáspio, incluindo os gigantes Rússia e Cazaquistão, Golfo Pérsico e Golfo de Omã, num total de 15 países.
Outra razão notada entre os analistas é que os efeitos do controlo iraniano sobre Ormuz e o duplo bloqueio americano estão a aumentar a pressão sobre os mercados energéticos, com os preços do petróleo, do gás (LNG), fertilizantes e, entre outros, chips, que estão a provocar danos severos na economia norte-americana e ainda mais nas expectativas de Donald Trump para as eleições intercalares de Novembro, onde corre o risco de perder as maiorias no Senado e na Câmara dos Representantes, no Congresso.
O que levou o Presidente dos EUA a repetir esta quarta, 15, em entrevista à FOX News, que é seu entendimento que "a guerra vai terminar muito em breve" com as negociações iraniano-americanas a serem retomadas na capital do Paquistão "nos próximos dias".
Donald Trump tem prevista uma visita à China em meados de Maio, onde quer chegar com este problema resolvido.
E um dos tópicos que têm espaço garantido na agenda das conversas de trump com Xi Jinping era já, antes deste duplo bloqueio dos EUA, o controlo apertado do Irão, que passou a cobrar uma portagem equivalente a 2 milhões USD em moeda chinesa, aos navios dos países que não apoiam Israel e os americanos nesta guerra, mantendo o estreito fechado para todos os países que colaboram com Telavive e Washington neste conflito.
Para já, os mercados energéticos parecem acreditar num desanuviamento no Golfo Pérsico, visto que o barril, tanto em Londres como em Nova Iorque, estão esta quarta-feira, 15, a perder nos mercados internacionais, com o Brent, o que mais importa para Angola, a cair para os 94 USD depois de semanas acima de 100 USD.









