Cabinda, separada do resto do país pelo mar e pela floresta, depende quase exclusivamente do ar para se ligar ao resto do país. E a companhia da palanca, nesse mercado cativo, tem feito das suas. Cancelamentos em série, passageiros a dormir no aeroporto, bilhetes que desaparecem e reaparecem nas mãos dos "muambeiros" a preços que mais parecem de ouro. A gota de água foi quando mais de uma dezena de passageiros, depois de verem o seu voo cancelado pela terceira vez consecutiva, protestaram no aeroporto e acabaram detidos. A polícia a reprimir o direito à viagem. É o novo normal. Reclamar é crime, mas cancelar é serviço.
A companhia tem aviões, uns novos e bonitos que voam com toda a pompa e circunstância. E outros, que já foram novos, mas que dão sinais de cansaço - como muitos de nós, aliás. Os motivos são muitos, mas as explicações são poucas. Falta uma peça. O fornecedor atrasou. O contexto global não ajuda. Assado e cozido, mesmo quando a cesta básica está cada vez mais cara. O contexto global, coitado, tem culpa de tudo: da inflação, da seca, dos voos cancelados e já agora, do combustível que falta nas bombas.
E depois há os preços. Com a concorrência a escassear em algumas rotas, os preços são proibitivos. O cidadão comum vê-se refém da companhia estatal. É o capitalismo às avessas: o monopólio a servir o povo, mas a servir-se do povo.
Há promessas de melhorias, claro. Aviões novos. Expansão da frota. Mais formação. Maior cumprimento de horários. O incómodo é temporário, mas os benefícios serão permanentes. A questão está na duração do "permanente". Para uns, permanente é uma vida. Para outros, permanente é um mandato. E enquanto isso, o passageiro continua à espera. Continuamos todos!