No Irão, há décadas que o regime viola o direito internacional. Desrespeita as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que regulam o seu programa nuclear e proíbem o apoio a grupos armados. Viola sem restrições os direitos humanos, voltando, como ainda recentemente, as suas armas contra o seu próprio povo.
O ditador voltou as suas armas contra o seu povo, iniciou um verdadeiro massacre e cometeu assim as piores violências da história contemporânea iraniana. Por isso, não pode haver impunidade. A repressão insustentável da revolta pacífica do povo iraniano não podia ficar sem resposta.
No entanto, é profundamente lamentável que esta situação não tenha podido ser resolvida no âmbito das instituições internacionais, que são as únicas capazes de criar as bases para uma paz e uma estabilidade duradouras.
A intervenção decidida unilateralmente por Israel e pelos Estados Unidos da América deveria ter sido debatida nas instâncias coletivas previstas para esse efeito. Assim, cada um poderia ter assumido as suas responsabilidades. Pois só ao ser confrontada no Conselho de Segurança é que a utilização da força pode revestir-se da legitimidade do direito internacional.
No que diz respeito ao Líbano, a França condena o grave erro do Hezbollah, que arrastou um país que estava a recuperar para uma guerra que não escolheu. A população paga o preço, com centenas de mortos e, agora, centenas de milhares de deslocados. Os Libaneses têm direito à paz e à segurança. Como todos no Médio Oriente.
Resta que as autoridades libanesas foram muito claras. Denunciaram os ataques do Hezbollah ao norte de Israel. Apelaram ao seu desarmamento. Declararam ilegal o braço armado do Hezbollah.
A França apoia plenamente a decisão do governo libanês de exigir o fim das atividades militares do Hezbollah, a entrega das suas armas e a implementação, por todos os meios necessários, do plano do exército para garantir o desarmamento dos grupos armados. Este desarmamento continua a ser indispensável e essencial. A França continuará empenhada na soberania e na estabilidade deste país.
O Líbano não pode tornar-se um segundo Khan Younes.
Quanto à França, ela não desencadeou este conflito, não é parte nele. Mas agimos aqui como potência de paz, potência de equilíbrio. Nós defendemos os nossos interesses e estamos ao lado dos nossos aliados. Se a nossa prioridade absoluta é a proteção dos nossos cidadãos e das nossas instalações, a nossa segunda prioridade é a "desescalada".
Como afirmou o Presidente da República Francesa, Sua Excelência Emmanuel Macron, todas as medidas estão a ser tomadas para garantir a segurança do território nacional e dos nossos compatriotas, bem como das nossas instalações no Médio Oriente.
A França está pronta para defender os seus parceiros, a seu pedido, de forma proporcionada, em conformidade com os acordos que nos vinculam e, evidentemente, em conformidade com o princípio da legítima defesa coletiva, que é um princípio do direito internacional. Temos acordos de defesa que nos vinculam ao Qatar, ao Kuwait e aos Emirados Árabes Unidos. Também estamos vinculados por parcerias de segurança com o Bahrein, a Jordânia, o Iraque e os nossos aliados curdos.
A prolongação indefinida de operações militares sem objetivo específico acarreta o risco de uma espiral que levaria o Irão e a região a um longo período de instabilidade, cujo desfecho é muito incerto. O Líbano já está a pagar o preço, assim como outros países da região, e do mundo, se considerarmos o impacto na economia mundial da impossibilidade de atravessar o estreito de Ormuz. É por isso que a escalada militar deve cessar o mais rapidamente possível, em prol da segurança do Golfo e da segurança marítima.
É necessário encontrar uma solução política que torne possível a coexistência pacífica do Irão com o seu ambiente regional e a comunidade internacional: uma solução que tenha em conta as aspirações do povo iraniano de dispor de si próprio, de ser respeitado nos seus direitos e de construir o seu futuro livremente. E uma solução que tenha em conta a vontade de todos os povos de viver em paz.
*Embaixadora da França em Angola

