Estes números, dados oficiais do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), colocam a presente época das chuvas nesta parte do continente como uma das mais severas em vários anos, tanto em número de mortos como de pessoas afectadas.
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com números de 01 de outubro até esta manhã, abrangendo já o actual período de cheias generalizadas no país, foram afectadas, até ao momento, 717.120 mil pessoas - mais quase 40 mil em poucas horas -, equivalente a 152.914 famílias, com 11.433 casas parcialmente destruídas e 4.987 totalmente destruídas.
Até sexta-feira era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afectadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional. Desde 21 de dezembro, quase três meses depois do início da época chuvosa (que vai até abril) e pouco antes do início da fase actual de fortes e consecutivas chuvas, até ao momento, os dados do INGD contabilizam assim 21 mortos.
Dos 93 centros de acomodação abertos desde o início da época das chuvas, 82 permanecem agora activos, com 87.322 pessoas, incluindo as 17.524 que tiveram de ser resgatadas, segundo os mesmos dados do INGD.
Na nova actualização, ainda de acordo com a Lusa, contabiliza-se que foram afectadas, até ao momento, 57 unidades sanitárias e 44 casas de culto, além de 318 escolas, sete pontes, 27 aquedutos, 2.957 quilómetros de estrada e 193 postes de electricidade tombados.
No registo do INGD aponta-se ainda para 166.308 hectares de área agrícola afectados, dos quais 74.769 hectares dados como perdidos, afectando 115.092 agricultores, além da morte de 64.743 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
Hoje prosseguem acções e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que têm obrigado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem fortes descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

