Empossada pelo Tribunal Constitucional da Venezuela como Presidente após o sequestro de Nicolas Maduro pelos EUA com recurso a uma intervenção militar no início de Janeiro, Delcy Rodriguez foi sempre vista Por Donald Trump e pelo seu secretário de Estado, Marco Rubio, como uma espécie de representante da Casa Branca em Caracas.

Isso mesmo fica explicito, não apenas pela brincadeira de mau gosto de Trump na Wikipedia, onde se assume também Presidente deste país sul-americano, mas essencialmente depois de ter chamado as multinacionais petrolíferas norte-americanas para lhes ordenar que fizessem um plano de investimentos de 100 mil milhões USD para repartir as reservas do país, estimadas em mais de 300 mil milhões de barris, as maiores do mundo.

Todavia, sem que se tenha até aqui percebido muito bem como contextualizar o comportamento da Casa Branca, que age como "governo" da Venezuela, e as declarações de Delcy Rodriguez que em tudo contrariam essa perspectiva optimista de Washington, hoje pode ter tudo ficado mais claro,

Tal clarificação está na notícia da Lusa sobre declarações desta quarta-feira, 14, em Caracas, de delcy Rodriguez, onde esta garantiu que as receitas do petróleo serão destinadas à recuperação e reestruturação do sistema de saúde do país.

Numa breve declaração, transmitida pelo canal estatal VTV, Delcy Rodríguez indicou que está a trabalhar num plano especial para a área da saúde, afectada por anos de crise, e que o primeiro compromisso é que cada dólar que entrar na Venezuela proveniente das vendas da indústria petrolífera e gasista do país seja destinado a dar resposta às necessidades do sistema de saúde, contrariando claramente os planos de Donald Trump.

Além disso, disse que, com este plano, já existem 75 centros de saúde que serão equipados com "as receitas provenientes do petróleo".

No passado dia 7 de janeiro, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, garantiu que o seu país controlará a venda de petróleo da Venezuela por tempo "indefinido" e depositará as receitas dessas transacções em contas administradas por Washington.

Numa conferência em Miami, o secretário norte-americano disse então que está "a trabalhar directamente em cooperação com os venezuelanos", após o anúncio feito anteriormente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos para comercialização.

Wright indicou que Washington permitirá a venda de petróleo venezuelano a refinarias americanas e mercados internacionais, mas precisou que "essas vendas serão feitas pelo Governo dos EUA e os fundos serão depositados em contas controladas pelo Governo dos EUA".

No dia 09 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu, numa reunião realizada na Casa Branca com os executivos das principais petrolíferas do mundo, "protecção e segurança do governo" a longo prazo para empresas petrolíferas nacionais e internacionais e instou-as a investir na Venezuela.

Trump assegurou então que o plano é que as empresas petrolíferas americanas invistam "pelo menos 100 mil milhões de dólares do seu próprio capital, não do dinheiro do governo", para revitalizar as infra-estruturas no país das Caraíbas e, com o tempo, aumentar a produção de petróleo.

O presidente norte-americano convidou também a China e a Rússia a comprar todo o petróleo venezuelano gerido por Washington "de que necessitem".