Entre inúmeras iniciativas a recordarem o dia, também o grupo de embaixadores africanos acreditados em Portugal promoveu uma iniciativa em Lisboa, alargada a todo o corpo diplomático, no passado dia 21, com a embaixadora de Angola, Maria de Jesus Ferreira, sempre muito activa na mobilização.
O programa do grupo de embaixadores africanos acreditados teve por lema "Garantir a disponibilidade sustentável da água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objectivos da Agenda 2063".
No essencial, a programação da agenda incluiu uma exposição organizada pelas embaixadas e ainda intervenções do Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e do decano de embaixadores africanos, não faltando o cocktail no final.
O tema escolhido é singular por ser um dos que têm a ver com a salvaguarda do incremento e valorização da qualidade de vida dos cidadãos que fundamentaram a Agenda 2063.
O Dia de África corresponde à data em que foi criado por 30 países a Organização de Unidade Africana (OUA), que, em 11 de Julho de 2000, deu lugar à União Africana (UA), hoje com 55 países e presidida pelo Burundi, tendo como Chefe de Estado Évariste Nadayimiye .
À data da criação da OUA, o mundo estava sob uma hegemonia bicéfala, dos Estados Unidos e da ex-URSS, e teve por objectivos essenciais a conjugação de esforços para a concretização das independências dos territórios ainda colonizados, a luta contra o apartheid, a solidariedade e a paz.
Este mundo bicéfalo não existe mais.
Hoje, passados 64 anos sob a criação da OUA em 1963, em Adis Abeba, capital da Etiópia, vivemos sob um novo mundo, muito incerto, e, por isso mesmo, há novos desafios a exigirem novas respostas no quadro da globalização e do multilateralismo.
No que respeita ao continente africano, os avanços decorrentes do reconhecimento da afirmação e dignificação dos africanos foram enormes e têm de ser sublinhados a partir do momento em que, com as independências, os africanos tomaram em mãos os destinos dos seus países.
Porque Roma e Pavia não se fizeram num dia, há que ter, porém, presente que 64 anos passados desde a criação da OUA é um período muito curto na história da humanidade.
É natural, face à complexidade e incerteza do mundo incerto actual, com impressionantes mudanças tecnológicas e avanços na inovação, como a inteligência artificial, por exemplo, os países do continente africano não podem, também, deixar de dar resposta a estes novos desafios para não ficarem ainda mais para trás.
Sucede que as respostas a estes novos desafios têm de correr paredes meias e a terem de ser dadas respostas a outros que têm um grau mais exigente e oneroso do que ocorre em países de outros continentes com maior desenvolvimento.
Refiro-me, em concreto, ao crescimento da satisfação das necessidades básicas da população, tanto mais que esta tem, em geral, aumentado no continente africano mais do que o crescimento económico, pelo que há menos a distribuir por mais.
Por isso, a propósito do Dia de África e do papel que têm os responsáveis políticos dos 55 países que integram a UA , há que reiterar que, sendo hoje o mundo muito diferente, mais complexo e incerto do que aquele que deu causa à criação da OUA, em 1963, as responsabilidades políticas são também muito mais exigentes e acrescidas.
Daí que a prioridade das prioridades a considerar esteja na política a ser exercida com P grande e com espírito de servir, considerando-se a economia um instrumento dela.
Esta prioridade deve estar presente na UA e, particularmente, em quem a dirige parecendo ser de ponderar a eventual alteração da rotação anual da Presidência da instituição por cada um dos 55 países que a integram ,em favor de uma solução que conceda maior consistência á visão coletiva estratégica para o continente .
Claro que sobre o Dia de África e o futuro do continente e sobre cada um dos países há pano para mangas para se debater e o dia é seguramente muito apropriado para se revisitar a História desde a criação da OUA até aos dias de hoje porque os novos desafios impõem novas respostas.