O Presidente da República foi um dos Chefes de Estado que estiverem presentes na tomada de posse do novo Presidente português, António José Seguro, com quem conversou por um curto período no momento após a assinatura oficial.
Como recorda a Presidência angolana, João Lourenço "participou no histórico evento" ao lado de figuras de Estado como o Rei Felipe VI de Espanha e os Presidentes de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
Tratando-se de uma cerimónia calendarizada desde que António José Seguro foi eleito em Janeiro, na 2ª volta das eleições Presidenciais portuguesas, contra o extremista de direita André Ventura, o momento não teria grande importância além da cortesia entre países amigos, não fora um pequeno pormenor.
É que, quando os convidados de honra se perfilavam no decurso da cerimónia de cumprimentos, Seguro passou perante quase todos os presentes e parou em frente de João Lourenço, numa clara demonstração de deferência com o seu homólogo angolano.
Não foi divulgado por nenhum dos serviços de imprensa das Presidências portuguesa e angolana o que ambos conversaram durante cerca de dois minutos, mas o simbolismo do momento não passou ao lado das redes sociais.
Sem que se tenha percebido se existe alguma relação, no exterior da Assembleia da República estava um enorme outdoor colocado pelo Chega, partido de André Ventura, onde João Lourenço aparece com o Presidente brasileiro Lula da Silva, e escrito, de forma acintosa, que a culpa não e dos 500 anos de colonialismo português, "é da vossa corrupção", sem apontar a que tipo de culpa se refere o cartaz.
Porém, aquando da cerimónia do 50º aniversário da independência de Angola, em Luanda, João Lourenço tenha referido os 500 anos de colonialismo como uma das razões para alguns dos problemas sentidos hoje em África, uma evidência que sofre cada vez menos contestação, com André Ventura a criticar fortemente, na altura, o Presidente angolano e o português, Marcelo Rebelo de Sousa, por não ter reagido com gravidade ao que tinha sido dito pelo Chefe de Estado angolano.
Este tipo de acusações de Ventura, inseridas no outdoor, são repetidas uma vez atrás de outra, mas neste momento particular, pode ter criado algum embaraço diplomático e António José Seguro poderá ter sentido a necessidade de explicar a João Lourenço que o Chega não representa o país.

