Segundo a agência Reuters, o Namibe Sonangol sofreu danos quando estava no Porto de Khor Al Zubair, no Iraque, coincidindo esta situação com um anúncio por parte da Guarda Revolucionária do Irão sobre um ataque a um petroleiro naquela zona do Golfo Pérsico.

Segundo a Reuters, que não confirma sem margem para dúvidas ter-se tratado de um ataque iraniano, o Namibe Sonangol, que não tinha carga a bordo, nem relatou vítimas entre a tripulação, sofreu uma explosão num tanque de lastro após dele se ter aproximado uma pequena embarcação desconhecida.

Segundo a IRIB News, a tv pública do Irão, a Guarda Revolucionária fez saber que tinha atacado mais um petroleiro na região, mas sem especificar se se tratava do " Sonangol Namibe", da Sonangol.

Segundo o relato das agências de notícias, foi a delegação da Sonangol Marine Services nos EUA que anunciou esta situação.

O navio foi abordado por uma pequena lancha nesta quinta-feira "a partir do lado do lado do porto na sua direcção e pouco depois foi ouvida uma forte explosão", descreveu a Sonangol Marine Services num comunicado lido pela Reuters e pela Bloomberg.

Este petroleiro da Sonangol tem um contrato de prestação de serviços com a SOMO iraquiana e estava a preparar-se para carregar 80 mil toneladas métricas de gasóleo iraquiano, embora se desconheça o destino da carga.

Desde que a coligação israelo-americana atacou o Irão, no Sábado, dando início à guerra no Médio Oriente, que o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Índico, foi fechado pelos iranianos e existe uma ameaça de ataque a todos os navios que passarem por aquele estreito canal.

No entanto, estando o Namibe Sonangol num porto do Iraque, longe do Estreito de Ormuz, este alegado ataque não tem uma lógica que se perceba imediatamente.

E nem sequer este navio atravessou o Estreito já depois da ordem de fecho da Guarda Revolucionária do Irão, no Sábado, 28 de Fevereiro, porque, de acordo com os dados do site "Marine Traffic", o Namibe Sonangol saiu de Singapura a 10 de Fevereiro e largou âncora no extremo oeste do Golfo Pérsico a 26 de Fevereiro, dois dias antes do ataque inicial israelo-americano ao Irão e da ordem de fecho do Estreito de Ormuz.

Isto, porque se o navio "angolano" tivesse passado no canal já depois da ordem, como outros arriscaram, poder-se-ia ter tratado de uma retaliação pela desobediência, no que seria um aviso à navegação para todas as restantes embarcações sobre o que lhes pode suceder caso desrespeitem a directiva iraniana.