Os diplomass agora aprovados, que estabelecem a Serra do Pingano província do Uige) e o Morro do Moco (Huambo) como áreas de conservação ambiental, foram aprovadas com 183 votos (Serra do Pingano), e 176 votos (Morro do Moco).
Os deputados defendem a conciliação entre a preservação ambiental e actividades económicas permitidas, como o ecoturismo, além da importância das medidas para mitigar os efeitos da crise climática e reforçar o compromisso de Angola com a agenda ambiental global.
O ambientalista Rafael Lucas, que louva a iniciativa agora aprovada, destacou que estas zonas desempenham um papel fundamental na protecção dos ecossistemas e na manutenção do equilíbrio ambiental do planeta.
"É uma boa medida que vai permitir a protecção dos ecossistemas e a manutenção do equilíbrio ambiental do planeta", sublinhou.
O líder da ONG Minuto Verde Angola aponta a manutenção dos serviços ecossitémicos, como um outro impacto relevante, uma vez que as áreas de conservação contribuem também para a regularização do clima, a purificação do ar e a fertilidade dos solos.
O Governo garantiu que pelo menos 40% dos postos de trabalho na fiscalização e gestão serão reservados às populações locais, incluindo oportunidades como guias e no artesanato.
A serra do Pingano (Uíge) abrangerá uma extensão de 2.838 km² nos municípios do Uíge, Quitexe, Ambuíla e Songo, protegendo florestas húmidas tropicais, espécies raras e habitat crítico.
A Serra do Pingano destaca-se como uma das áreas montanhosas mais relevantes do norte de Angola, funcionando como um refúgio de biodiversidade florestal numa região sujeita a crescente pressão antrópica.
A presença de microclimas húmidos, associados à altitude e à orografia (como o terreno é moldado em altura e forma), favorece a persistência de habitats sensíveis e confere à Serra do Pingano um papel estratégico na conservação da biodiversidade, na estabilidade dos solos e na regulação dos sistemas hídricos locais.
A sua elevação ao estatuto de área de conservação responde, assim, a uma lacuna histórica na protecção dos ecossistemas florestais do norte do país.
Relativamente ao Morro do Moco, o ponto mais alto de Angola, é amplamente reconhecido como um dos ecossistemas mais críticos para a conservação da biodiversidade nacional.
O morro do Moco desempenha uma função essencial na regulação hídrica, actuando como zona de nascente e recarga de aquíferos, com impacto directo na segurança hídrica das comunidades.

