Os oito elementos são acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de homicídio qualificado, três crimes de roubo, fabrico, detenção e alteração de armas e munições proibidas e associação criminosa.

O oficial superior da Polícia, o arguido Daniel dos Nascimento Branco, de 46 anos, é apontado pela acusação como o fornecedor de armas e munições ao grupo criminoso, que simulava solicitar corridas de táxi por aplicativo, preferencialmente da Yango, para assaltar os motoristas e roubar as viaturas.

Só que, muitas das vezes, os assaltos terminavam em mortes, e foi o caso do de Gaspar Lopes Martins, "Guigui", residente na Rua da USA, no bairro Tala-Hady, município do Cazenga, que saiu de casa, como era habitual, para trabalhar, e nunca mais voltou.

"Guigui" terá recebido uma solicitação de corrida, como é prática na actividade de táxi, por volta das 22h40 do dia 26 de Setembro de 2025, tendo-se deslocado ao bairro Rocha Pinto para atender o cliente.

O destino indicado era o bairro Quenguele, no Benfica, e, ao iniciar a corrida, entraram quatro passageiros que, alegadamente, pretendiam assaltar o condutor e apropriar-se da viatura.

Durante o percurso, já nas imediações de uma bomba de combustível da Pumangol, um dos arguidos simulou que pretendia urinar e solicitou à vítima que parasse a viatura.

Logo que a viatura parou, outro arguido anunciou o assalto, apontando uma arma à vítima, fazendo-lhe fortes ameaças de morte e agredindo-a.

Outro arguido desferiu vários golpes por todo o corpo da vítima, enquanto um terceiro lhe apertava uma corda no pescoço, fazendo-a perder os sentidos.

De seguida, os meliantes transportaram a vítima para uma zona isolada da Zona Verde, no Benfica, onde foi submetida a várias torturas, tendo-lhe sido aplicadas cerca de 10 injecções com água de bateria no pescoço.

Consta da acusação que, apesar das agressões, a vítima ainda tentou lutar contra um dos assaltantes, mas não resistiu às injecções nem ao espancamento, acabando por morrer naquela noite.

Os marginais, que alegadamente tinham como líder o oficial superior da Polícia, levaram os pertences da vítima, dois telemóveis, valores monetários e a viatura, abandonando o corpo num matagal.

A vítima esteve desaparecida, facto que levou a família a participar o caso às autoridades e a iniciar as buscas.

Familiares, amigos, vizinhos e colegas partilharam o seu desaparecimento nas redes sociais l, e, no dia 28 daquele mês, o corpo foi encontrado na Morgue Central de Luanda, após a Polícia ter sido informada por populares da existência de um cadáver no matagal.

Após o assassinato do motorista da Yango, a viatura, um Hyundai i10, foi comercializada pelos arguidos a um cidadão pelo valor de 2,8 milhões de kwanzas.

São arguidos no processo Daniel dos Nascimento Branco, Denilson Beyebe, Pedro Juvelino, Mariano Muhungo, João Pedro, Bento Ngamba, Wilson Tomás e Daniel Luís.