Na sua intervenção na capital russa, a propósito de um balanço do ano de 2025, Sergei Lavrov acusou (ver aqui) o Presidente dos EUA, Donald Trump, de estar a trocar a ordem mundial baseada em regras pela "lei do mais forte" referindo-se ao uso do poder militar para impor as regras que servem os interesses norte-americanos.
Isto, apesar de russos, chineses e indianos estarem há anos a fio a combater a ordem mundial baseada nas regras ocidentais pós-II Guerra Mundial, temendo que agora, ao invés da sua proposta de regras bem desenhadas para regular as relações entre iguais, os EUA estejam a forçar uma nova ordem sem regras e sem bússola, sendo a ponta das armas que define resultados, sempre de acordo com os interesses dos mais poderosos.
E foi neste quadro que China se insurgiu esta terça-feira, 20, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à "lei da selva" nas relações internacionais, "onde os fortes atacam os fracos", criticando tarifas e guerras comerciais.
Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, citado pela Lusa, defendeu que "um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos".
No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que "as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores", advogando os benefícios do "comércio livre e da globalização económica".
Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng "os atos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio [OMC]".
Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país de, além de querer ser "a fábrica do mundo", ser igualmente "o mercado do mundo", comentou que, "quando a China quer comprar, outros países não querem vender", numa nova alusão à política da Administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial (IA).
O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira.
Subordinado nesta 56.ª edição ao tema "Um Espírito de Diálogo", o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

