O alvo do ataque com o hipersónico e ainda pouco conhecido míssil balístico Oreshnik, que surpreendeu tudo e todos em Novembro de 2024 (ver aqui) ao cair sobre um complexo industrial ucraniano, na cidade de Dnipro, foi, desta feita, utilizado para destruir uma infra-estrutura energética estratégica no leste da Ucrânia.

O ataque, que teve lugar na noite de quinta-feira para hoje, sexta-feira, 09, segundo informações disponibilizadas pelo Ministério da Defesa russo, serviu para, como já tinha sido prometido pelos russos, vingar o ataque que os ucranianos fizeram com dezenas de drones à casa de Putin em Novgorod, de 28 para 29 de Dezembro de 2025.

Apesar de todos os drones, segundo os media russos, usados pelos ucranianos, 91 no total, terem sido destruídos, e de o Presidente russo não estar na sua casa oficial em Valdai, na região de Novgorod, esse momento foi visto como de "extrema gravidade".

E na altura a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, depois de ter sido o próprio ministro Sergei Lavrov, a dar a notícia do ousado ataque ucraniano, prometera que a resposta não seria diplomática, deixando perceber que Moscovo poderia ir atrás do Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o que agora não se confirma...

Pelo menos se este atasque nocturno, que causou vasta destruição na Ucrânia, foi suficiente para aplacar a vontade de vingança dos russos, embora não tenham sido avançadas quaisquer notas oficiais sobre o encerramento do episódio da resposta ao ataque á casa de Putin.

Todavia, alguns analistas apontam para que este ataque com o Oreshnik seja antes uma monstração de força dos russos para os Estados Unidos verem, depois do assalto a um petroleiro com bandeira russa no Atlântico Norte, que se dirigia para a Rússia oriundo da Venezuela.

Ao mesmo tempo, o Kremlin dá novas provas da eficácia deste míssil balístico hipersónico, que pode transportar ogivas nucleares ou convencionais, depois de os media ocidentais, ao longo de 2025, terem feito repetidas referências sobre não existir de todo ou ser, afinal, ineficaz.

Porém, o míssil Oreshnik, que voa a mais de 15 mil kms/h, terá sido responsável pela destruição do maior depósito de gás natural na Ucrânia, na região de Lviv, com capacidade para mais de 50% da capacidade total de armazenamento na Ucrânia, e onde se pensa que está(va) boa parte das reservas europeias, devido à especial qualidade do reservatório, em grande profundidade e inatingível para armas convencionais.

Mas, ao mesmo tempo, no mesmo ataque, um dos mais devastadores dos quase 4 anos de guerra desde a invasão russa a 24 de Fevereiro de 2024, foram ainda usados centenas e drones e de misseis, incluindo outros hipersónicos, como os Kinzhal, ou os de cruzeiro, Kalibr, lançados de submarinos no Mar Negro.

Kiev já confirmou a dimensão especial deste ataque, até porque rapidamente dezenas de vídeos amadores chegaram às redes sociais com as múltiplas ogivas características do Oreshnik a chegarem ao solo em golpes sucessivos.

Na reacção ucraniana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros destacou o uso de uma arma tão poderosa a pouca distância da fronteira da União Europeia e da NATO, porque Lviv e o reservatório de gás natural destruído estão a escassas dezena de kms da fronteira polaca.

Esta utilização desta arma tão próximo da fronteira com a Polónia "é uma séria ameaça" à segurança europeia, pedindo aos aliados europeus de Kiev para aumentarem a pressão sobre Moscovo, considerando "absurda" a alegação de que houve qualquer tentativa de atacar uma casa oficial de Putin.

E o governador da região de Lviv veio a público confirmar que a relevante infra-estrutura energética alvejada pelo Oreshnik foi "danificada", o que, pela explosão que pode ser vista nos vídeos que chegaram ás redes sociais, pode ser traduzido pela sua destruição total ou quase total...

Apesar de Moscovo ter justificado o uso da sua mais impressionante arma convencional, que os especialistas admitem que tem poder destrutivo semelhante a uma ogiva nuclear, com o ataque à casa de Putin em Valdai, alguns analistas sugerem que foi uma resposta aos norte-americanos pelo assalto ao petroleiro com bandeia russa na quinta-feira. (ver aqui).