Em Angola, Lavrov, que vai ficar até ao final do dia em Luanda, tem agendados encontros com Manuel Augusto, ministro das Relações Exteriores, e com o Presidente da República, João Lourenço, sendo o reforço das relações mútuas a frase escolhida para aquilo que preocupa os dois países, no contexto bilateral e no contexto regional e internacional.

Esta visita de Serguey Lavrov a Luanda emerge de um contexto em que Moscovo tem experimentado uma reaproximação a África, depois de muitos anos de transição da grande influência da União Soviética no continente, pelo menos até ao final da década de 1980, para uma situação de afastamento por parte da Rússia devido aos problemas internos por causa da sua própria transição política.

Para já, entre Moscovo e Luanda existe a continuidade de cidadãos angolanos, estimados em cerca de 1500, a estudar nas academias russas, e os investimentos de Moscovo, principalmente através do gigante dos diamantes, a Alrosa, que recentemente anunciou um investimento milionário no Luaxe, onde acredita estar um gigantesco kimberlito com mais de 30 mil milhões de dólares em quilates, e uma das principais quotas e gestora da mina da Catoca, uma das maiores minas de diamantes do mundo, situada na Lunda Norte.

Foi ainda a indústria espacial russa que fabricou e lançou para o espaço o primeiro satélite angolano, o Angosat-1, um investimento superior a 200 milhões de dólares.

Sendo ainda certo que Angola é considerada pela diplomacia russa como essencial nos esforços de reaproximação de Moscovo ao continente, nomeadamente na região central e austral e, por isso mesmo, o Presidente Vladimir Putin convidou João Lourenço a deslo9car-se em visita oficial à Rússia, o que deverá acontecer ainda este ano.

Esta visita de Lavrov a África, que hoje começou em Luanda, vai ainda levar o experiente chefe da diplomacia de Moscovo à Namíbia, ao Zimbabué, Moçambique e Etiópia, para cuja capital, Adis Abeba, está a ser noticiado pela imprensa internacional a hipótese de um importante encontro com o Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson.

Isto, num momento em que os dois países e superpotências militares se travam de razões por causa da Síria ou ainda devido às questões de política interna nos Estados Unidos devido às suspeitas de intromissão russa, seja nas eleições que permitiram a Donald Trump chegar à Casa Branca, seja ainda por causa de eventuais negócios privados, espionagem, etc.

Este encontro com Tillerson, que ainda é apontado como possibilidade, deverá ter lugar no país, Etiópia, onde Moscovo quer criar um Centro de Ciências Nucleares e Tecnologias com base em tecnologia russa, sendo a tecnologia e a energia nucleares um dos pontos cimeiros da agenda de Lavrov para as conversações com o seu homólogo local, Workneh Gebeyehu, como o é ainda a coordenação bilateral no âmbito da política externa e as cerimónias de celebração dos 120 anos de relações entre Adis Abeba e Moscovo.

Com Angola, apesar de mais recentes, datando as relações bilaterais de 1976, quando foi assinado, com a então União Soviética, o tratado de Cooperação, readaptado em 2004 por um acordo de Cooperação que molda a cooperação bilateral em áreas como a Energia, Geologia e Minas, Ensino Superior, Formação de Quadros, Defesa, Interior, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Pescas, Transportes, Finanças e Banca.

Recorde-se que o gigante da banca russa, VTB, anunciou em Fevereiro uma alteração nos termos do pagamento da dívida de 1,5 mil milhões de dólares que Angola tem com este banco, alargando o prazo de pagamento de dois anos para 10 anos, bem como o seu interesse em "ajudar Angola" na emissão de um novo empréstimo soberano (sovereign bond) no valor de cerca de 2 mil milhões de dólares.