Em resposta a uma estratégia delineada pelo grupo empresarial que desembolsou acima de 300 milhões de Kwanzas para adquirir o empreendimento, a agora inspectora-geral da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) anunciou crédito para 88 produtores de tomate, um produto sazonal, apontado como factor a ter em conta sempre que eram analisados eventuais constrangimentos.

Um acordo tripartido - FADA/Grupo Adérito Areias/produtores -, testemunhado por membros da equipa económica do Executivo angolano, garantiu empréstimos em condições pouco habituais, sem exigências que deixam milhares de camponeses irritados sobretudo por falta de títulos de concessão de terra.

Na altura da inauguração, Felisberta da Costa, em declarações ao Novo Jornal, disse que documentos passados pela Administração Municipal substituiriam o título de concessão, tendo ressaltado que o FADA chegou a acautelar imprevistos como calamidades naturais e pragas que atacam o tomate.

A responsável, que agora, por ironia do destino, terá de fiscalizar a gestão dos recursos do FADA, tinha deixado claro que a renegociação do financiamento e a implementação do seguro agrícola seriam as medidas para contrapor efeitos das calamidades numa região com histórico de culturas arrasadas pelas cheias no rio Coporolo.

Hoje, quatro meses depois, as pragas são precisamente uma condicionante apontada pelo presidente da cooperativa que se propôs, à luz dos acordos, fornecer tomate à fábrica.

Ao NJ, Rosa Flor sublinha que a semente começou a ser lançada à terra há quinze dias, no início do Inverno, a estação apropriada, esperando-se que o Grupo Adérito Areias comece a comprar no mês de Julho.

"Vamos procurar produzir para termos stock, é este o plano, já com o problema das pestes ultrapassado", assinalou o produtor, antes de ter defendido mecanismos para que o equipamento da fábrica, estando sem operar, não fique obsoleto.

Na demonstração da massa de tomate "Ombelela", a marca do proprietário, houve quem defendesse a necessidade de algumas toneladas reservadas para uma firme resposta ao cenário que se observa.

O NJ sabe que apenas trinta dos 88 produtores seleccionados receberam o empréstimo de 25 milhões de Kwanzas, valor para a compra de sementes, fertilizantes e instalação de sistemas de irrigação. Os outros procuram ultrapassar "problemas administrativos", sendo pouco provável que consigam, à primeira, chegar a trezentas toneladas, quantidade que cada homem do campo deverá fornecer.

A fábrica, que também transformará o ananás em sumos e vinhos, terá um consumo diário superior a 120 toneladas. Daí que, segundo fonte do Grupo Adérito Areias (GAA), não se descarte o alargamento da base de fornecedores com recurso a outras províncias.

"Os trabalhadores estão no local, tratando da manutenção das máquinas. Quando tudo estiver resolvido, estaremos a produzir durante as 24 horas do dia", assinalou.

A fábrica, que custou ao Estado angolano cinco milhões de dólares norte-americanos, foi adquirida pelo GAA no quadro das privatizações sob a égide do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).