Os iranianos fizeram saber que não estão com pressa para falar directamente com os americanos enquanto Israel não for colocado no seu lugar pela Casa Branca, que é o mesmo que dizer que Trump tem de obrigar Telavive a cumprir a sua parte do acordo que passa por deixar o Líbano em paz...

Para já, mesmo que Israel tenha assinado um cessar-fogo paralelo com o Hezbollah para o sul do Líbano, a norma é a de sempre, com as Forças de Defesa de Israel (IDF) a bombardear localidades libanesas com a lista de mortes entre civis a crescer ao mesmo ritmo.

Como sucedeu nesta última madrugada de sexta, 19, para Sábado, 20, quando os contínuos ataques das IDF fizeram pelo menos cinco mortos entre a população civil libanesa.

Ainda não era, a meio da manhã, conhecido qualquer indicador de que o Irão iria suspender as conversações directas com os EUA de novo, mas essa ameaça está sempre em cima da mesa até que o sul do Líbano entre integralmente no MeD.

Os ataques em mais de uma dezena de localidades ao longo da madrugada mataram três pessoas em Arab Salim, uma em Deir Zahrani e outra à entrada de Dweir, segundo a agência de notícias libanesa ANI, apesar do anúncio, na véspera, de um cessar-fogo entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na sexta-feira que Israel vai cessar os ataques no Líbano, porque "cumpre o que promete", alegando que, se não fosse Washington, os israelitas teriam sido aniquilados.

As palavras de Trump demoram a chegar a Telavive.

"Respeitam-me muito e fazem o que eu lhes digo", sublinhou Trump, referindo-se às autoridades israelitas, numa entrevista concedida ao portal de notícias Axios, quando questionado se poderia impedir Israel de atacar o país vizinho.

O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão, assinado eletronicamente na passada quarte-feira pelos respetivos presidentes, Trump e Masoud Pezeshkian, estipula "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano, onde Israel e o Hezbollah, aliado de Teerão, se confrontam há mais de três meses.

O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.

Enviado dos EUA a caminho da Suíça para negociações com Irão

O enviado norte-americano Steve Witkoff está a caminho da Suíça para manter conversações com o Irão, noticiou a imprensa norte-americana, após o adiamento das negociações entre os Estados Unidos e o Irão.

Witkoff está a caminho da Suíça, informou esta sexta-feira o meio 'online' Axios, citando uma fonte norte-americana, que preferiu manter o anonimato.

A viagem ocorre num momento em que "os Estados Unidos e o Irão se esforçam por retomar as discussões técnicas", na sequência do memorando de entendimento assinado na quarta-feira entre os dois países, informou a CNN.

O enviado de Trump, Jared Kushner, também é esperado na Suíça para as negociações, indicaram a Axios e a CNN, citando ambas fontes oficiais norte-americanas.

É ainda incerto o início das negociações com vista a uma paz definitiva, inicialmente previsto para sexta-feira na Suíça, depois de o vice-presidente norte-americano JD Vance, que deveria deslocar-se à Suíça, ter cancelado a viagem.

O memorando de entendimento assinado na última quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo seu homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, visa pôr fim a uma guerra que teve início a 28 de fevereiro com ataques norte-americanos e israelitas que mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

O memorando estabelece um prazo de 60 dias para a conclusão do acordo de paz definitivo, que começou a contar na data da respetiva assinatura.