A UNITA afirma que nos anos 2024 e 2026, Angola beneficiou de ganhos extraordinários acumulados entre 2 a 4 mil milhões dólares em receitas fiscais adicionais, associados directa ou indirectamente à valorização do petróleo impulsionada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Em conferência de imprensa esta quinta-feira, 04, sobre o impacto da subida do preço do barril de petróleo no OGE 2026 e na vida das populações, a líder do Grupo Parlamentar da UNITA, Navita Ngolo, referiu que em termos brutos, os ganhos petrolíferos adicionais podem ultrapassar os 10 mil milhões USD no conjunto do período.
"Angola continua excessivamente dependente dos choques externos para equilibrar as suas contas públicas. Hoje é uma guerra que sustenta parte do equilíbrio fiscal", disse Navita Ngolo,
"Amanhã poderá ser um cessar-fogo, uma recessão global, uma desaceleração da China ou um excesso de oferta petrolífera que elimine rapidamente estes ganhos. Por isso, a verdadeira questão histórica não é quanto Angola ganhou com a guerra no Médio Oriente", acrescentou.
De acordo com a deputada, a verdadeira questão é saber se Angola está a transformar estes excedentes extraordinários numa oportunidade para finalmente reduzir a sua dependência estrutural do petróleo e construir uma economia capaz de sobreviver sem a próxima crise internacional.
A UNITA exige que o Executivo preste contas
Sobre a aplicação destes milhões perante os representantes do povo, a UNITA lembra que se recorre à Assembleia Nacional para rever em baixa o OGE quando o preço internacional do barril de petróleo se posiciona abaixo do preço de referência do Orçamento Geral do Estado e agora o cenário é o inverso.
Face à situação, de acordo com a deputada, o Grupo Parlamentar da UNITA solicitou ao presidente da Assembleia Nacional o agendamento de um debate com "carácter de urgência" sobre o impacto do aumento do preço de petróleo no OGE 2026 e na vida das famílias.
De acordo com a UNITA, a gestão do excedente petrolífero não deve ignorar o rosto da pobreza do povo, nos domínios da saúde, educação, agricultura moderna e familiar, industrialização, emprego para a juventude.
"A aposta teimosa na petrodependência afigura-se um caminho impróprio para trilhar as rotas da prosperidade", concluiu Navita Ngolo.
