É que Donald Trump parece ter esquecido que os EUA já tinham, foi o próprio que o repetiu exaustivamente, "obliterado totalmente" a infra-estrutura nuclear iraniana em Junho de 2025, no final da "guerra dos 12 dias" entre Teerão e Israel, deixando esta de ser uma ameaça. (ver links em baixo)
Se há uma forma simples de explicar o sobe e desce na tensão militar entre os EUA e o Irão, ainda ninguém a encontrou, mas há uma difícil que todos conhecem mas quase ninguém percebe: Tudo depende dos problemas internos do Presidente Donald Trump.
Há mais de duas semanas que a Casa Branca faz saber que um ataque ao Irão está iminente, ideia reforçada com o envio para o Médio Oriente de uma, como lhe chamou Trump, "maravilhosa armada" a "navegar maravilhosamente" para o Golfo Pérsico.
Além disso, as bases dos EUA no Catar, a maior de todas, em Al Udeid, onde está o comando regional, no Bahrein, nos Emiratos Árabes Unidos, na Arábia Saudita... receberam por estes dias dezenas de modernos sistemas de defesa antiaérea.
E centenas de aviões de guerra, especialmente os F-35, que foram vistos a passar pelas bases dos EUA na Europa, Itália e Espanha, e ainda nas Lajes, Açores, o arquipélago português no meio do Atlântico.
Ao mesmo tempo que os EUA enviavam, e estão a enviar, reforços militares para os já gigantescos meios disponíveis no Médio Oriente, "aterravam" na Casa Branca 3,5 milhões de ficheiros, como 180 mil imagens e milhares de vídeos sobre o maior escândalo de pedofilia em todo o mundo.
E o nome do Presidente dos EUA aparece citado centenas de vezes nestes documentos, bem como algumas das figuras mais conhecidas em todo o mundo, mas, claramente, mas claramente com especial incidência nas elites norte-americanas.
De Donald Trump a Elon Musk (Tesla, Space X, Starklink), de Bill Gates (Microsoft) ao ex-Presidente Bill Clinton, de Michael Jackson (artista) ao embaixador do Reino Unido nos EUA, Peter Mandelson, quase nenhum patamar das elites norte-americanas, abundando ainda nomes do desporto, escapa aos ficheiros do caso Jeffrey Epstein.
E como é que este escândalo, que está a torrar as páginas dos jornais e os ecrãs dos canais internacionais, pode influir no desfecho do clima de extrema tensão no Médio Oriente, envolvendo os EUA, Israel e o Irão? Da mesma forma de sempre...
Quando um Presidente dos EUA surge comprometido num qualquer escândalo sexual ou financeiro, ordena um bombardeamento ou inicia uma guerra algures no Médio Oriente, Ásia ou em África, como foi o caso, por exemplo, de Bill Clinton, após o escândalo Monica Lewinsky, mas nesta lista aparecem ainda Ronald Reagan, George W. Bush ou, entre outros, Richard Nixon.
E neste caso, Donald Trump vive, provavelmente, o seu maior drama de sempre, mesmo que os ficheiros Epstein não possam ser vistos como provas irrefutáveis do seu comprometimento no escândalo que estes revelam.
Porque, a verdade é que nos EUA, como as sondagens demonstram, são mais os que acreditam que sim do que aqueles que acham que se trata de um esquema para o prejudicar politicamente como o próprio argumenta.
Porém, sendo verdade que um conflito com o Irão (ver links em baixo) tomaria o espaço principal dos media norte-americanos, e de todo o mundo, certamente, servindo na perfeição como "exorcismo" para livrar Trump do fantasma de Epstein, no Estreito de Ormuz pode estar o antidoto para que a Casa Branca recorra a esse "expediente".
É que o peso dos ficheiros deixados por Jeffrey Epstein, que morreu na cadeia em 2019, depois de condenado a uma pena pesada, alegadamente por suicídio, porque existem muitas dúvidas sobre os contornos da sua morte, equivale em tonelagem política às consequências temidas para a economia dos EUA se o ataque ao Irão acontecer.
E isso percebe-se porque o líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, já disse que qualquer ataque, por mais limitado que seja, dos EUA, será visto como uma guerra total e a reposta iraniana será demolidora e em todas as vertentes.
E uma das acções imediatas do Irão, até para impedir a entrada de navios de guerra no Golfo Pérsico, e por onde passa mais de 35% do petróleo mundial, seria fechar o Estreito de Ormuz.
Consequência imediata, como referem quase todos os analistas, desse movimento, seria o barril de crude disparar para valores nunca vistos, o que teria um impacto devastador na economia norte-americana, já a braços com uma crise de desemprego severa e de inflação galopante.
Ora, além destes problemas, que devem estar a tirar noites de sono a Donald Trump (quando se começa a questionar a sua sanidade mental abertamente), este tem ainda de lidar com as eleições intercalares de Novembro deste ano, onde, se perder a maioria nas duas câmaras do Congresso, a dos Representantes e o Senado, dificilmente se livrará de um bem-sucedido "impeachment", ou processo de destituição, como a oposição democrata o ameaça insistentemente.
Uma das razões que podem, além do escândalo de pedofilia global encerrado nos ficheiros Epstein, servir +para destituir Trump é a forma como este tem desconsiderado de forma inconstitucional o Congresso em vários domínios.
Desde logo, e o mais grave, o ataque na Venezuela, já este ano, feito sem aviso aos congressistas, ou, entre outras ocorrências de abuso de poder, a aplicação de tarifas internacionais, que o Congresso tem de aprovar, como a isso obriga a lei maior dos EUA.
Neste dilema de Donald Trump, os seus estrategas andam a apalpar terreno a ver se o acaso lhes oferece uma solução, porque será, se nada mudar radicalmente, preso por ter cão (atacar o Irão) e preso por não ter cão (não atacar o Irão), e, para já, o melhor que estão a conseguir é manter tudo em aberto sem mexer muito as águas.
Além deste imbróglio, a Casa Branca está ainda obrigada a lidar com um crescente volume de críticas ao que parece uma subjugação dos interesses norte-americanos à vontade do Governo israelita de Benjamin Netanyhau, que tem o mais poderoso lobby activo nos corredores do poder nos EUA
Nesse confronto emergem contra Trump figuras de proa da sua base de apoio eleitoral de apoio, denominado MAGA, de "Make America Great Again", como o famoso jornalista Tucker Carlson ou, entre outros, o activista político conservador Charlie Kirk, recentemente assassinado num episódio que permanece sob muitas incertezas e dúvidas.
Perante este cenário, as duas questões em cima da mesa são precisamente as que encerram o título desta análise: De "como evitar a guerra?" a "como não começar a guerra?" fica um Estreito de Ormuz e 3 milhões de ficheiros sobre o maior escândalo de pedofilia mundial de sempre.
Numa entrevista à FOX News, este Sábado, Donald Trump, questionado sobre os seus planos para o Irão, quando até aqui apostava num tom ameaçador, agora diz intencionalmente que não quer falar sobre isso para "não diluir as possibilidades de uma solução negociada e pacífica" para a crise com Teerão.
Até porque, continuou o Presidente norte-americano, neste momento decorrem conversas com o Irão e isso pode abrir espaço para evitar um ataque, mas se tal não for possível, "logo se verá o que acontece".
Pouco ou nada se apreende destas palavras de Trump, mas mais claro está a ser o seu homólogo iraniano, o Presidente Massoud Pezeshkian, que tem dito, de forma coerente, que o Irão não pretende uma guerra, que aceita falar com os EUA se a condição for de igual para igual, mas que se Washington avançar para a guerra, "terá a resposta mais devastadora de sempre".
Na mente de Trump, através dos seus analistas militares e conselheiros políticos, mesmo que a retórica seja de desvalorizar o potencial militar iraniano, está a informação abundante sobre as capacidades de misseis de Teerão.
Com destaque para os seus hipersónicos Fattah I e Fattah II, os supersónicos antinavio Abu Mahdi, de longo alcance e moderno, com capacidade superior a 1000 kms, permitindo atingir alvos muito além do Golfo Pérsico, ou o Qader, com alcance de até 300 kms, que garante uma defesa consistente da sua linha de costa.
E ainda as imagens que ficaram da "guerra dos 12 dias" entre o Irão e Israel, de junho do ano passado, onde a famosa defesa anti-míssil israelita se mostrou incapaz de travar as centenas de projectéis iranianos que terraplanaram as suas bases e alvos relevantes nas cidades de Telavive ou Asdode, no sul.
É que para Donald Trump, ver os misseis iranianos a devastar as suas bases no Médio Oriente e a destruir a sua "maravilhosa armada" nos mares da região, seria um pesadelo político e uma catástrofe eleitoral anunciada para Novembro, nas eleições intercalares para o Congresso e para diversos estados, incluindo a eleição de novos governadores.













