A visita do Papa Leão XIV escancarou uma nação maltratada, com a maioria dos seus filhos pobres que se tornaram invisíveis aos radares políticos de todos os partidos, incluindo o partido do governo que se especializou em tornar o acessório numa prioridade e de forma imoral e ilegal exonerou-se do seu dever de cuidar da nação.
O povo já não quer saber de nenhuma ideologia, já não acredita em programas políticos e sobretudo já percebeu que a riqueza mineral não conseguiu materializar a paz no prato, a carteira na escola, os medicamentos no hospital, o asfalto de qualidade, a drenagem dos rios, a solução para a seca, o engrandecimento e protecção da nossa cultura nem a sustentabilidade alimentar.
Ao invés, o que continuamos a assistir nestes 23 anos de paz é a perda real dos alicerces do país. A normalização do erro destruiu a idoneidade, a moralidade e a vergonha, promovendo a corrupção, a falta de carácter e a morte da ética. O povo é estoico. Herói. Sobrevivente de todas as contrariedades. Por isso ainda não foi derrotado.
O discurso institucional é agressivo. Sem empatia. Sem renovação de ideias. Um discurso manhoso cujas entrelinhas temos de decifrar e que deixou de se importar com o estado de calamidade nacional em que o país vive. A cada ano renasce mais um velho surto de cólera parido na ausência de esgotos que foram erradicados da vontade de se resolver o problema.
Neste momento ninguém sabe em que direcção vai Angola. Quem manda acha que vamos para a frente, mas quando olhamos vemos que o retrocesso é visível nos transportes a exemplo da TAAG que um dia ainda teremos d limpar as casas de banho e varrer os corredores de tão nojentos que estão, o comboio que nunca chegou ao novo aeroporto a título de exemplo. O país está a andar sim, mas é em círculos que são viciosos.
O Papa Leão XIV leu a alma do nosso povo e da governação. O seu discurso colocou o dedo na ferida da vaidade. Dirigiu-se às elites milionárias que oferecem "falsas alegrias". Percebeu que existe o país dos pobres e o país dos ricos. Colocou a obrigatoriedade de "colocar o bem comum acima das partes não confundindo nunca a parte da elite com o todo".

O discurso do Papa pediu para que as divergências não se tornassem em ódio. Pediu que não se extinguisse a visão dos jovens nem os sonhos dos velhos. Aconselhou que "aprendessem a gerir conflitos transformando-os em caminhos de renovação". O caminho é para dentro. É para o encontro de políticas que confiram decência ao povo.