"A unidade interna dos partidos políticos é o pilar fundamental para a estabilidade democrática, a eficácia governativa e a confiança dos eleitores. Quando um partido actua de forma coesa, ele fortalece a sua identidade ideológica e maximiza a sua capacidade de influenciar a sociedade", disse o também arcebispo de Saurimo, quando, sexta-feira, recebeu Carlitos Roberto, um dos candidatos à presidência da Frente Nacional de Libertação de Angola, (FNLA).

De acordo com o líder religioso, um partido político fragmentando ou com divisões internas visíveis enfrenta sérias desvantagens durante a campanha eleitoral.

"Nesta altura, a FNLA já deveria estar a preparar as futuras eleições e não mergulhada em divisões internas que só empobrecem a vossa organização", afirmou, defendendo "diálogo aberto e transparente" como a ferramenta mais eficaz para prevenir e resolver divisões internas.

Segundo Dom José Manuel Imbamba, as disputas internas sinalizam que os membros do partido estão mais focados em agendas pessoais ou em lutas pelo poder do que na resolução dos problemas reais da população.

A FNLA enfrenta uma das fases mais agudas da sua prolongada crise de instabilidade interna.

Às portas do seu 6º congresso ordinário, o histórico partido fundado por Holden Roberto vê-se paralisado por clivagens profundas que ameaçam a sua sobrevivência política.

Neste momento, existem duas comissões preparatórias paralelas para a organização do congresso.

O Comité Central elegeu Ndonda Nzinga (ligado a Kabangu) para coordenar a preparação do conclave, mas Nimi-a-Nsimbi adiou unilateralmente o congresso para Novembro de 2026.

Para além da disputa de liderança, a sucessão conta com seis candidatos formais apoiados pelo Comité Central, nomeadamente Carlito Roberto (filho de Holden Roberto), Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala, Sofia Coelho Afonso e Álvaro Domingos.

A FNLA foi fundada oficialomente a 27 de Março de 1962. A sua criação resultou da fusão entre a União das Populações de Angola (UPA) e o Partido Democrático de Angola (PDA), sob a liderança histórica de Holden Roberto.