Na sua mensagem por ocasião do dia da Rádio Nacional de Angola, assinalado segunda-feira, 05, Adalberto Costa Júnior declarou que a crítica da sua formação política não é contra os jornalistas da Rádio Nacional de Angola, "mas ao partido no poder que instrumentaliza este órgão público".
"A nossa crítica não é contra os jornalistas, técnicos, produtores e demais profissionais da RNA. É precisamente por reconhecer a importância do seu trabalho que defendemos a sua autonomia", referiu.
"Hoje, os profissionais da RNA vivem aprisionados num órgão que devia ser de todos. Grandes jornalistas, com aptidões enormes, continuam reféns de um sistema que os obriga a praticar um jornalismo longe das normas, longe da verdade e longe da ética que estudaram", lamentou.
Lamentou que os trabalhadores da RNA, que "lutam por salários dignos, por condições de trabalho, por dignificação profissional", mas "continuam a ser tratados como parte da propriedade do partido no poder", apesar de a rádio ser sustentada pelo erário público.
Segundo o político, uma comunicação social pública não pode ser instrumento de um partido, qualquer que ele seja, mas deve pertencer aos cidadãos e responder perante a sociedade.
"O actual cenário de liberdade de imprensa mostra que esta questão não é meramente partidária. Em 2026, Angola ocupa a 109ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, que aponta igualmente a predominância dos meios estatais no panorama radiofónico angolano", acrescentou.
É por isso que, de acordo com o líder do principal partido da oposição, a sua organização defende "uma reforma profunda, a nível dos gestores dos órgãos públicos para que sejam escolhidos através de mecanismos independentes e transparentes, maior autonomia editorial e de gestão, regras de financiamento que protejam o serviço público e instituições de comunicação social capazes de fiscalizar o poder em vez de depender dele".
"Defendemos que os órgãos públicos não podem continuar a ser propriedade do MPLA. Propomos a retirada da competência ao Presidente da República na nomeação dos gestores, substituindo-a por um modelo com supervisão independente e validação parlamentar qualificada", referiu
Angola aproxima-se de mais um momento eleitoral e precisa de uma RNA que seja "verdadeiramente nacional", defende.
"Queremos uma rádio onde Governo e oposição possam ser escrutinados, onde a notícia não tenha partido e onde o cidadão esteja acima do poder", frisou, salientando que a visão da UNITA é a de libertar o serviço público da tutela partidária, devolver-lhe autonomia e transformá-lo num verdadeiro património da República.
"A alternância política que defendemos não deve significar apenas a mudança de quem governa. Deve significar também a mudança das instituições que sustentam a democracia", notou, frisando que não quer uma RNA do MPLA nem da UNITA.
A finalizar, Adalberto Costa Júnior diz querer uma Rádio Nacional de Angola "suficientemente livre para informar, suficientemente independente para questionar e suficientemente republicana para servir todos os angolanos".
