Entre os angolanos arrolados no processo está o jornalista Amor Carlos Tomé, da Televisão Pública de Angola (TPA), e o político Francisco Oliveira, secretário para a mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA.

Os cidadãos russos são Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, que, segundo as autoridades angolanas, estão ligados a organizações internacionais de financiamento ao terrorismo.

Estes arguidos são acusados pelo Ministério Público (MP), para além de terrorismo, de espionagem, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa.

No processo estão para além dos quatro arguidos, 12 testemunhas, entre os quais alguns jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social.

O MP acusa os arguidos de estar a preparar um golpe de Estado em Angola e de pretenderem capturar activos económicos nacionais em troca do apoio a forças da oposição ao governo.

Os cidadãos russos são acusados da prática de 11 crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no país e retenção de moeda.

Amor Carlos Tomé é acusado de nove: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência e burla.

Francisco Oliveira "Buka Tanda" responde por cinco crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa.

Segundo a acusação, o arguido Amor Carlos Tomé estaria a recrutar jornalistas para difundirem em massa nos jornais físicos e digitais, rádios privadas, páginas do Facebook e grupos de WhatsApp falsas informações, que, segundo a acusação, serviriam para a criar no país um sentimento de insegurança e repulsa pela actual governação.

A acusação diz ainda que os arguidos russos também pretendiam financiar a UNITA nas eleições de 2027.

Os quatro homens foram detidos em Agosto do ano passado, em Luanda, na sequência da greve organizada, no final de Julho, por taxistas, para protestar contra a subida do preço dos combustíveis e o aumento das tarifas dos transportes públicos, que resultou em actos de vandalismo.