Depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter voltado a aumentar o nível de alerta para a perigosidade da 17ª epidemia desta letal febre hemorrágica que já passou para o Uganda, onde foram registados vários casos, o Governo congolês também voltou a reforçar os meios para lutar contra o vírus.
No quadro dos esforços em curso, que integram a OMS, os Médicos Sem Fronteiras (MSF), o Instituto de Pesquisa e Ciências Biomédicas (INRB) do Ministério da Saúde congolês, a que se junta agora a MONUSCO, começa a ganhar preponderância a necessidade de sensibilização das populações.
Isto, porque a crença de que a infecção está a ser introduzida no leste congolês pelas equipas médicas estrangeiras está a espalhar-se mais depressa que a própria infecção, com episódios dramáticos já registados de populares enfurecidos a incendiar equipamentos ao serviço dos esforços para debelar a epidemia.
Com o número de mortes e infecções a crescer todos os dias, e a geografia atingida a aumentar na mesma proporçaõ, com casos já no Uganda e suspeitas noutros países vizinhos, como o Sudão do Sul e o Ruanda, além de estar já nas províncias dos Kivu Norte e Sul, é cada vez mais imperioso conter os contágios que resultam da ignorância e do crencismo místico de que é resultado de um castigo de origem sobrenatural.
Este tipo de crenças leva as pessoas com sintomas não apenas a fugir das equipas médicas oficiais mas ainda a procurar cura junto de curandeiros e feiticeiros que, em muitas ocasiões, aplicam "tratamentos" que ajudam à propagação da doença.
Um dos problemas que tanto as equipas médicas, como agora os militares da MONUSCO, procuram minimizar é insistência das comunidades em manter os rituais locais de despedida dos familiares e amigos falecidos, mesmo sendo por Ébola, que é a mais letal das febres hemorrágicas conhecidas e é na fase de cadáver que a transmissão está mais favorecida devido aos fluídos corporais.
Segundo o site da congolesa Radio Okapi, estes episódios de procura agressiva de recuperação de corpos de familias e amigos vítimas de Ébola continua a registar-se, o que as patrulhas militares da ONU procuram reduzir, não apenas pela presença armada mas também através da sensibilização.
Além disso, estas patrulhas têm ainda como objectivo proteger as populações que vivem, centenas de milhares estão nessa condição, em campos de refugiados na província de Ituri, onde esta epidemia começou há cerca de três semanas, muito graças à forte densidade populacional tanto nas aldeias, devido à figa de áreas em conflito, como nos campos.
Além disso, a presença de guerrilhas activas, seja o M23 nos Kivu Norte e Sul, sejam as ADF(estado islâmico), em Ituri, que são combatidas pelas forças regulares da RDC em permanência, é outrlo factor que representa uma forte contrariedade nos esforços para debelar os efeitos deste vírus.
Além do mais, e por isso a OMS tem subido de tom nos alertas que emite periodicamente, este vírus do Ébola é da estirpe "Bundibugyo", que, ao contrário da estirpe mais comun, "Zaire", não tem nem vacina nem tratamento conhecido, mantendo uma letalidade acima dos 50% e uma infecciosidade que está entre as mais agressivas das cinco estirpes conhecidas, embora não seja a de maior percentagem de letalidade.
Devido à distância, superior a 1500 kms em linha recta para a fronteira, nas províncias do Moxico e Lunda Norte, Angola não apresenta, ao contrário dos países vizinhos do leste congolês, risco de entrada do vírus, mas esse perigo não está afastado totalmente porque há pessoas daquela fregião a procurar refúgio em Kinshasa.
O que significa que o risco de chegada da infecção à fronteira angolana aumenta, embora não exista nenhuma indicação actualmente, aumenta, especialmente pela via fluvial navegável do Rio Congo.








