"O Brasil fará parte do Escudo das Américas a partir do próximo ano. Vou incluí-lo para que se una aos países que combatem o narcoterrorismo", disse o senador do Partido Liberal, de extrema-direita, na quarta-feira, numa transmissão nas redes sociais.

A promessa do filho mais velho de Jair Bolsonaro - que as sondagens apontam para um empate técnico com o atual governante e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, numa eventual segunda volta - surgiu um dia depois de uma reunião entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, com os aliados latino-americanos, à margem da sessão anual da Assembleia Geral da ONU.

Participaram no encontro os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Chile, José Antonio Kast, do Equador, Daniel Noboa, da Honduras, Nasry Asfura, do Paraguai, Santiago Peña, e do Peru, Keiko Fujimori, entre outros.

O Brasil, que vive uma crise diplomática e comercial com os EUA, não faz parte do novo mecanismo - integrado, até à data, por governos de direita e de extrema-direita - que tem como objetivo combater o tráfico de droga no continente.

Flávio Bolsonaro defendeu a iniciativa, que, segundo disse, serve para cooperar, trocar informações, proteger as fronteiras do tráfico de droga e de armas e "asfixiar financeiramente" o crime organizado.

"Porque é que o Brasil não está [no Escudo das Américas]? Porque há um Presidente da República que é condescendente com os bandidos, que acha que está tudo bem", criticou.

Para Bolsonaro, o "Brasil está isolado" e "não tem condições para garantir a sua soberania" face ao avanço de fações como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

Além disso, o senador reforçou que, se vencer as eleições, classificará as organizações criminosas como "narcoterroristas" - tal como já fizeram os EUA e alguns países sul-americanos - e que, sob o seu mandato, os criminosos terão apenas duas saídas: "cemitério ou cadeia".

A segurança foi um dos temas abordados por Lula da Silva no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O líder progressista, numa clara alusão aos EUA, afirmou que o Brasil não vai "terceirizar" a responsabilidade de defender as suas fronteiras.

"Não precisamos de porta-aviões a vigiar as nossas águas. Precisamos de cooperação para conter o fluxo de armas e de dinheiro que alimenta o crime organizado. É esse o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos", disse Lula.