No ano em que Angola celebra 51 anos de Independência, a entrada principal da Vila de Catete, junto ao Mercado do Cacusso, ganhou os primeiros semáforos. Foram, pela primeira vez na história da vila, instalados cinco, num ponto que, durante décadas, foi sinónimo de acidentes e atropelamentos.

Quem conhece Catete sabe que o Mercado do Cacusso é a porta da vila. É ali que param os táxis, atravessam as vendedeiras, descem os alunos e entram os camiões que vêm de Luanda. Durante meio século, tudo isso aconteceu sem nenhuma luz para mandar parar ou orientar o trânsito.

A imagem que agora se vê é nova: um poste cinzento com luz vermelha, laranja ou verde acesa a travar e a coordenar o trânsito.

Segundo moradores, no local já morreram pessoas por falta destes semáforos. "Este cruzamento era cego", conta uma vendedeira do mercado.

Sem semáforo, a regra era a da "sorte". Os peões atiravam-se para a estrada, e os carros não paravam. Para atravessar com a bacia sobre a cabeça, lembra Maria João, outra vendedora de peixe há 15 anos, "tínhamos de correr". Às vezes, ficávamos cerca de 10 minutos à espera de uma brecha. Muitas colegas foram atropeladas aqui".

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