O portão com letras colossais e já gastas pelo tempo anunciam: "Parque Deolinda Rodrigues", em Icolo e Bengo. E para quem vive ou é do município de Catete, é muito mais do que uma entrada, é um "portal" de memórias. Construído ainda na época colonial, sobreviveu à Luta de Libertação Nacional e resiste ao abandono, continuando "em pé" no centro da Vila como o mais antigo espaço de lazer dos catetistas.

Dentro o tempo parece andar mais devagar. O chão feito de cimento, pedras e areia, as árvores frondosas de tronco pintado de branco com cal, os bancos vermelhos e restos dos baloiços coloridos ao fundo guardam memórias das brincadeiras de muitas gerações em Catete. Quem entra sente logo que aquele espaço é diferente dos demais locais de lazer da vila, por ser uma das áreas, segundo os moradores da zona, mais antigas.

"Eu brinquei aqui quando era miúdo, no tempo do colono. Corri neste espaço descalço, depois da Independência, e hoje trouxe os meus filhos e trago os meus netos para correrem no mesmo sítio. O parque é mais velho que todos nós aqui, é o álbum de família de Catete", conta o ancião Manuel Domingos, de 85 anos, morador do Dungo, situado no referido município.

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