Resultado de um trabalho de investigação que levou dez anos, o Wetland - termo em inglês que significa terra húmida - Tratamento Final das Águas Residuais nos Municípios de Benguela e dos Navegantes apresenta soluções a partir de uma situação problemática, conforme descreveu o autor, o geocientista João Buaio.

Segundo o académico, as zonas húmidas com plantas como a do milho ou a da cana-de-açúcar representam um tratamento de forma natural, sustentável e com baixo custo.

João Buaio avisa que, num contexto em que a escassez de água potável se generaliza, as técnicas que apresenta são o futuro. "Reparem que a transformação da água do mar [dessalinização] é um processo caro, gasta muita electricidade", frisou o também empresário, antes de ter lamentado o facto de as águas dos esgotos terem o mar como destino directo por falta de uma ETAR funcional.

Tendo como referência a experiência no Brasil, onde se aplica a técnica "até mesmo nas comunidades", ressaltou que o baixo custo e o factor natural podem levar a fórmula às residências dos cidadãos.

"Nos esgotos, podemos ter as plantas, fazer algo que garanta a reutilização das águas, por exemplo, no quarto de banho", sugere Buaio, lembrando que a sua obra, a segunda no mercado, depois da "Geografia na Economia de Angola", em 2010, tem o suporte de amostras do Laboratório de Química da Universidade de Coimbra (Portugal).

No capítulo das recomendações, o autor desperta a Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela (EPASB), responsável pela construção de infra-estruturas, o Governo Provincial, enquanto gestor dos recursos financeiros, e as Administrações Municipais.

"Na academia, pode ser útil para estudantes dos cursos de Química, Construção Civil e Hidrologia. Falo também de outros pontos do País, já que neste momento há proliferação de bairros", indicou.

O Wetland - Tratamento final das Águas Residuais nos Municípios de Benguela e dos Navegantes foi apresentado nesta quinta-feira, 02, no Museu Nacional de Arqueologia, em cerimónia assistida por membros do Governo, escritores, jornalistas e representantes da sociedade civil.