Construído em 1965, o edifício térreo é coberto por chapas de zinco galvanizado, não dispõe de grandes "luxos", nem de mangas para o embarque e desembarque de passageiros, tampouco de escadas e tapetes rolantes, mas chega a movimentar 800 mil passageiros/ano, o que perfaz uma média de mais de 2 mil /dia.
A maior parte dos voos tem como destino as localidades sul-africanas de Joanesburgo, cidade de Cabo, Katima Mulilo, na Zâmbia, e Maun, no Botswana, e são operados por aviões turbo-hélices de pequeno e médio porte.
Em termos de infra-estruturas este aeroporto está longe ou, antes, a "milhas de distância" do nosso moderno e imponente aeroporto internacional Agostinho Neto, mas, paradoxalmente, o aeródromo namibiano recebe mais turistas do que o seu congénere angolano.
Ao contrário do seu congénere de Eros, que é destinado aos voos domésticos, o Hosea Kutako recebe turistas, sobretudo provenientes de diversas partes do mundo, de África, Europa e Médio Oriente, o que faz da Namíbia um dos maiores destinos turísticos de África, sobretudo
nesta região Austral do continente.
Dados disponíveis indicam que o país de Sam Nujoma recebe mais de milhão de turistas/ano, uma cifra que ultrapassa largamente as estatísticas do nosso país que, em 2025, recebeu apenas 220 mil turistas.
Foi a pensar no fomento do turismo, que constitui uma das principais fontes de receitas da economia namibiana, que as autoridades locais inauguraram, em Novembro do ano passado, uma via expressa que liga o aeroporto ao centro da cidade, reduzindo para metade a duração das viagens entre os dois extremos.
A via, que dispõe de quatro faixas de rodagem, duas de cada lado, com um separador no meio, foi construída em três fases, como apoio da China, tendo melhorado significativamente a eficiência do transporte e aliviado o trânsito na capital.
Apesar da pequenez do aeroporto, o "anão" namibiano oferece aos passageiros, à sua chegada, um leque de serviços que vão desde a internet grátis, venda de Chips de telefonia movel, passando pelas casas de câmbios, à prestação de serviços rent-a-car e de viaturas vocacionadas para o ecoturismo.
Cheguei a Windhoek no dia 4 de Maio, uma data memorável para os namibianos que assinalavam os 48 anos sobre o Massacre de Cassinga, ocorrido em território angolano, mais concretamente na província da Huíla, sendo por isso considerado feriado nacional.
Se para a SWAPO, o partido que liderou a luta de libertação nacional e proclamou a independência da Namíbia, a data visa homenagear as vítimas do maior massacre contra um campo de refugiados namibianos em território angolano, para o então regime racista da África do Sul, que, à data dos factos, ocupava ilegalmente aquele território, representou uma vitória militar sobre os guerrilheiros namibianos e as forças cubanas que intervieram em sua defesa.
Com uma população estimada em cerca de 500 mil habitantes, a capital namibiana é uma cidade habitualmente pacata, longe do bulício de muitas capitais africanas marcadas pelo trânsito caótico, pela poluição sonora e do ar, de cheiros nauseabundos que tresandam das lixeiras a céu aberto e empestam a atmosfera.
Apesar da adversidade climática e dos poucos recursos hídricos, Windhoek é uma cidade arborizada e arejável onde são visíveis os sinais de uma permanente preocupação com a preservação do meio ambiente.
Na "Independence Avenue", a artéria que rasga o coração da cidade, há turistas espanhóis, franceses, alemãs e sul-africanos, dentre outras nacionalistas, que disparam os dispositivos fotográficos incorporados nos seus telemóveis, para captar as melhores imagens que a capital namibiana oferece aos seus visitantes.
O silêncio passeia-se pelas ruas de Windhoek, os jardins arranjados recebem os visitantes, sobretudo crianças que se entregam às suas brincadeiras infantis, ante o olhar atento dos progenitores.
Os estrangeiros movimentam-se à-vontade, fotografam quase tudo à sua volta, sem que sejam minimamente perturbados pelos olhares ameaçadores dos que veem nos turistas potenciais "espiões" ávidos em captar as imagens negativas do país.
Apesar de os automobilistas fazerem o uso constante de telemóveis durante o exercício da condução, o número de acidentes é, curiosamente, bastante reduzido. Nos semáforos, os motociclistas param ao sinal vermelho e não usam os passeios para "encurtar" as distâncias.
Durante a minha permanência, não ouvi relatos de episódios de "pentes policiais" com o objectivo de "aliviar" os bolsos dos turistas. Aliás, a presença policial nas ruas é discreta e ela posiciona-se em pontos estratégicos da cidade. n